O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) comunicou nesta quinta-feira (22) ter encontrado alterações fraudulentas em mandados de prisão registrados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Os documentos foram modificados para exibir os dados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Segundo o órgão, a fraude resultou do roubo de logins e senhas de magistrados. Com as credenciais, os responsáveis acessaram o sistema e substituíram informações ligadas a um mandado judicial. O CNJ ressaltou que não houve invasão aos seus servidores nem expedição efetiva de ordens de prisão contra as autoridades.
Credenciais furtadas também liberaram detentos em dezembro
O CNJ relatou que o uso indevido de acessos comprometidos já havia ocorrido em dezembro, quando quatro presos deixaram o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, mediante alvarás de soltura falsificados.
Outros episódios envolvendo o BNMP
Em agosto do ano passado, o hacker Walter Delgatti Neto e a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foram condenados por envolvimento em ataque semelhante ao BNMP. A investigação concluiu que Zambelli pagou Delgatti para inserir, no sistema, um mandado de prisão falso em nome do ministro Alexandre de Moraes. A ex-parlamentar encontra-se na Itália enquanto aguarda decisão sobre pedido de extradição.
Nota oficial
Em nota, o CNJ informou que o incidente foi identificado e corrigido, sem causar impactos permanentes nos registros do BNMP. “Não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ”, declarou a instituição.
Com informações de Gazeta do Povo