Brasília – Mesmo após o encerramento do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) pelo governo federal em 2023, a demanda pelo modelo segue alta nos estados. Levantamento da revista Sociedade Militar aponta que mais de 11 mil alunos aguardam vaga nessas unidades, sobretudo no Paraná, em Minas Gerais e em Mato Grosso.
O Pecim foi criado em 2020 para reduzir a evasão escolar e aumentar a segurança nas escolas, reunindo Ministério da Educação (MEC) e Ministério da Defesa na gestão. Professores da rede pública mantinham a responsabilidade pelo conteúdo pedagógico, enquanto militares da reserva atuavam como monitores disciplinar. Entre 2013 e 2023, o número de instituições nesse formato saltou de 39 para mais de 800 em todo o país.
Em julho de 2023, o Decreto nº 11.611/2023 formalizou o fim do programa. A decisão, comunicada por ofício aos secretários estaduais, transferiu aos governos locais a tarefa de manter ou não as escolas cívico-militares.
Procura concentrada no Sul e no Centro-Oeste
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que, em novembro de 2025, o Paraná registrava fila de espera de aproximadamente 11,2 mil estudantes. O governo paranaense, comandado por Ratinho Jr., anunciou a adoção do formato em mais 33 unidades, elevando o total para 345 escolas cívico-militares no estado.
Em Mato Grosso, a administração estadual planeja ampliar a rede para 205 escolas, com expectativa de atender mais de 120 mil alunos. O avanço foi respaldado por consultas públicas e legislação própria.
Minas Gerais também manteve o modelo. Decisão do Tribunal de Justiça liberou a retomada de nove instituições e abriu caminho para a expansão a partir de 2026. Ao comentar o despacho, o governador Romeu Zema declarou: “Fiquei extremamente satisfeito com essa notícia. Deve estar incomodando muita gente uma escola que ensina disciplina, que ensina valores, e vale lembrar: optativa.”
Regras rígidas atraem famílias
Diretores ouvidos pela reportagem atribuem a busca de pais e responsáveis à expectativa de um ambiente escolar mais disciplinado. As escolas exigem uniforme padronizado, limites de até 30 alunos por sala, avaliação numérica de comportamento e normas sobre corte de cabelo. A rotina inclui hasteamento da bandeira e execução de hinos.
Levantamento do MEC realizado no fim do governo Bolsonaro indicava satisfação superior a 80% entre pais e estudantes. Mesmo sem o apoio federal, estados como Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo decidiram manter ou criar programas próprios, garantindo a permanência do modelo no debate educacional brasileiro.
Com informações de Direita Online