São Paulo – O vice-prefeito da capital paulista, coronel Mello Araújo (PL), classificou como “equívoco” a decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de adiar a visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no presídio da Papudinha, em Brasília. A declaração foi dada nesta quarta-feira (21).
“Tarcísio deveria ir. A visita é um gesto humanitário. Bolsonaro está passando por uma situação difícil”, afirmou Mello Araújo ao jornal Valor Econômico, acrescentando que “metade do povo brasileiro” gostaria de encontrar o ex-mandatário.
Visita havia sido autorizada pelo STF
O encontro estava agendado para esta quinta-feira (22) após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na terça (20), o governador confirmara aos repórteres que viajaria a Brasília: “Vou sobretudo visitar um grande amigo, manifestar solidariedade e ver se ele precisa de algo”.
Pressão da família Bolsonaro
Depois do aval do STF, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou à CNN Brasil que o pai pretendia dar um “ultimato” a Tarcísio, frisando que a reeleição do governador em 2026 seria estratégica para derrotar o PT.
Tarcísio era apontado como possível substituto de Bolsonaro nas eleições presidenciais deste ano, hipótese descartada pelo ex-presidente, que lançou Flávio como nome da direita. O governador mantém a posição de buscar a reeleição em São Paulo.
Cancelamento de última hora
Horas após a entrevista de Flávio, o Palácio dos Bandeirantes divulgou nota anunciando o adiamento da visita por “compromissos em São Paulo”. Não foi definida nova data.
Mello Araújo disse desconhecer as razões do cancelamento, mas ironizou: “Bolsonaro definiu o Flávio e a gente que é da direita não discute mais isso”.
PL minimiza atrito
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou qualquer “climão” entre Tarcísio e Bolsonaro. À colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, afirmou que o governador “vai entrar na campanha [de Flávio] para valer” e atribuiu rumores de desconforto ao PT.
Acúmulo de desgastes
No dia 14, Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram criticados por parte da direita após curtirem publicação da primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, sugerindo que o Brasil “precisa de um novo CEO”. A atitude gerou reações de Carlos Bolsonaro e do jornalista Allan dos Santos, aumentando a tensão entre aliados.
Até o momento, não há previsão oficial para que Tarcísio retome a agenda em Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo