Pela primeira vez em mais de cem anos, o Exército do Canadá preparou um cenário teórico de defesa para o caso de uma invasão norte-americana, informou nesta terça-feira (20) o jornal The Globe and Mail.
Dois altos representantes do governo canadense confirmaram ao veículo que o exercício, ainda preliminar, prevê o uso de táticas de guerrilha semelhantes às adotadas por combatentes afegãos contra a União Soviética e, mais tarde, contra os próprios Estados Unidos no século XX.
Trata-se de uma modelagem de reação, não de um plano militar completo. Um estudo detalhado de operações, segundo os funcionários, demandaria estágio posterior e mais robusto de planejamento, o que ainda não foi iniciado.
Probabilidade considerada baixa
As autoridades ouvidas avaliam como improvável que o presidente dos EUA, Donald Trump, ordene uma ofensiva contra o território canadense. Elas frisaram que a cooperação militar entre Ottawa e Washington permanece positiva em iniciativas de defesa compartilhada.
Capacidade de resistência limitada
O levantamento interno calcula que o Canadá, com efetivo de cerca de 100 mil militares — dos quais 68 mil na ativa e o restante na reserva —, conseguiria sustentar a resistência convencional por no máximo uma semana. A partir desse ponto, a estratégia migraria para emboscadas, sabotagens e ações de pequenos grupos paramilitares ou civis armados.
Apoio externo
O estudo também indica a possibilidade de solicitar apoio de duas potências europeias nucleares, Reino Unido e França. O Canadá mantém laços históricos com Londres — o rei Charles III é o chefe de Estado constitucional do país — e com Paris, especialmente por meio da província do Quebec, onde o francês é idioma oficial.
Contexto político
Desde a vitória nas eleições de novembro de 2024, Trump manifestou em várias ocasiões interesse em anexar o Canadá como 51º estado norte-americano. No último fim de semana, a emissora NBC relatou que o presidente intensificou críticas à “vulnerabilidade” canadense no Ártico, argumento semelhante ao usado na tentativa de adquirir a Groenlândia.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, foi recebido por Trump na Casa Branca em outubro passado, em meio ao recrudescimento das tensões diplomáticas.
Com informações de Gazeta do Povo