O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completa nesta terça-feira (20) o primeiro ano de seu segundo mandato sob o signo da chamada “diplomacia da força”. Desde que voltou à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, o republicano assinou centenas de decretos, reforçou tarifas globais e autorizou operações militares que remodelaram a política interna e o cenário internacional.
Tarifas como arma econômica
A política tarifária, apontada pelo governo como peça-chave para impulsionar a economia, deixou de ser apenas punitiva e passou a servir de mecanismo de pressão para atrair investimentos. Países que resistem a interesses de Washington enfrentam sobretaxas, como aconteceu com o Brasil, alvo de tarifa de 50% sobre importações — percentual reduzido após conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O foco de Trump continua na disputa com a China por liderança em tecnologia e matérias-primas estratégicas. No fim de semana, o governo anunciou novas tarifas contra qualquer nação que se oponha à proposta de anexação da Groenlândia, reacendendo protestos de parceiros europeus.
Operações militares e tensão geopolítica
Em junho de 2025, forças americanas atacaram alvos iranianos, elevando o nível de tensão com Teerã. No início deste ano, em 3 de janeiro, tropas dos EUA capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro em Caracas. A Casa Branca classificou a ação como “medida judiciária”, já que Maduro é investigado pela Justiça norte-americana. Em contraste, o presidente atuou como mediador no conflito entre Israel e Hamas, adotando tom conciliador.
Indicadores econômicos
Segundo a especialista em finanças e tributação Adriana Melo, a estratégia tarifária gera resultados, mas também impõe “um custo silencioso”, ao tornar os EUA um “risco político recorrente”. Ainda assim, a inflação oficial fechou 2025 em 2,7%, abaixo da média histórica de 3,29%. Nos setores de alimentos e saúde, o índice ficou entre 3,1% e 3,2%.
O desemprego permanece em 4,4%, melhor marca histórica, porém a criação de vagas desacelerou: apenas 50 mil novos postos em dezembro.
Risco para o partido nas eleições de meio de mandato
Para o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, o custo de vida elevado coloca em risco a maioria republicana nas eleições de meio de mandato, previstas para o segundo semestre. “O que definiu a vitória de Trump foi o custo de vida, e ele subiu demais”, afirmou. De acordo com o analista, embora o presidente busque baixar preços, suas próprias tarifas pressionam os custos de produção.
Historicamente, o partido do presidente perde cerca de 26 cadeiras na Câmara dos Representantes. Isso pode provocar impasses orçamentários e até um novo shutdown, recorda Adriana Melo. Consciente da dificuldade, Trump tem recorrido a ordens executivas para evitar o crivo do Congresso, estratégia resumida por ele como “more politics, less policies”.
Com o país polarizado e índices de aprovação em queda, o segundo ano do mandato deve continuar marcado por decretos, tarifas e operações que reforçam a marca pessoal de Trump na Casa Branca.
Com informações de Gazeta do Povo