Brasília – A Polícia Federal apreendeu mais cinco celulares do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro. Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, os aparelhos foram retirados da custódia da PF, lacrados e enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR), medida que, segundo investigadores, pode dificultar a conexão de provas e comprometer depoimentos já agendados.
Sigilo reforçado e escolha de peritos
Ao remeter os dispositivos à PGR, Toffoli nomeou quatro peritos de sua confiança para extrair os dados. A decisão contraria o procedimento habitual, em que a própria PF pericia o material, elabora relatórios e, só depois, submete as conclusões ao Ministério Público. Fontes próximas à apuração avaliam que a mudança pode atrasar a análise do conteúdo, uma vez que os peritos escolhidos não são conhecidos pela celeridade.
Investigadores temem que o calendário de oitivas, marcado para o fim de janeiro, seja cumprido antes de a polícia ter acesso às evidências. Vorcaro, principal alvo do inquérito, deve ser ouvido em 27 de janeiro.
Apreensões e contexto da operação
Além dos cinco celulares mais recentes, um aparelho do banqueiro já havia sido recolhido na primeira etapa da operação, em novembro de 2025. Na ação da semana passada, agentes cumpriram 42 mandados de busca e apreenderam 39 telefones no total.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. O prejuízo estimado pelo esquema chega a R$ 12 bilhões, envolvendo, entre outros pontos, a aquisição de títulos do Banco Regional de Brasília (BRB).
Crise institucional e questionamentos
O inquérito chegou ao STF em dezembro, após a defesa de Vorcaro alegar foro privilegiado devido ao surgimento do nome de um deputado federal da Bahia nas investigações. Desde então, Toffoli centralizou o processo, ampliou o sigilo e tem enfrentado críticas por possível conflito de interesses, depois que veio à tona uma viagem em jato particular com um advogado do Banco Master durante a final da Copa Libertadores, em novembro de 2025.
Outros pontos que geraram questionamentos são um contrato milionário entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e indícios de investimentos de fundos ligados ao banco em empreendimentos que teriam participação de familiares de Toffoli. Todos os envolvidos negam irregularidades.
Atrito entre PF e gabinete de Toffoli
A decisão de retirar os celulares da guarda da PF intensificou o mal-estar entre a corporação e o gabinete do ministro. Investigadores afirmam que a custódia dos aparelhos na Polícia Federal permitiria cruzar rapidamente as informações com dados já levantados, enquanto o novo protocolo pode abrir margem para contestação sobre a cadeia de custódia e a seleção de provas.
Próximos passos
Apesar dos entraves, novas fases da Compliance Zero não estão descartadas. Até o fim do mês, Vorcaro e outros investigados devem prestar depoimentos. A PF busca avançar no rastreamento de contratos de advocacia, movimentações de fundos de investimento e eventuais operações de blindagem institucional que possam ter favorecido o Banco Master.
Com informações de Gazeta do Povo