O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026 de 1,9% para 1,6%. O novo prognóstico foi divulgado nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, em relatório que indica desaceleração na comparação com o avanço calculado de 2,5% em 2025.
Segundo o documento, a economia foi afetada pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta no ano passado. Embora a taxação tenha sido revogada, o impacto chegou a bilhões de dólares e deve retardar a retomada, projetada para 2027, quando o FMI espera expansão de 2,3%.
No cenário regional, a expectativa é de crescimento de 2,2% para a América Latina em 2026. Para os países em desenvolvimento, a projeção é de 4,2%. Globalmente, o órgão calcula avanço de 3,3% no próximo ano, seguido de leve recuo para 3,2% em 2027.
A inflação mundial, hoje em 4,1%, deve ceder para 3,8%, enquanto o comércio entre países tende a perder fôlego: o aumento projetado cai de 4,1% para 2,6% até o fim de 2026. O FMI atribui parte dessa desaceleração às tensões geopolíticas, que podem provocar atrasos e elevação de custos nas trocas internacionais.
Os dados usados no relatório foram coletados até dezembro de 2025 e, portanto, não contemplam a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos nem as recentes declarações do presidente Donald Trump sobre possível anexação da Groenlândia.
Em entrevista coletiva, o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que “riscos geopolíticos e o aumento das tensões comerciais representam um dos principais riscos para a economia global”.
No mesmo período, líderes mundiais se reúnem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceu ao evento e designou a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, como representante — ela é a única integrante do governo brasileiro presente no fórum.
Com informações de Gazeta do Povo