Brasília — 17 de janeiro de 2026. O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo apuração sobre a possível utilização de recursos públicos pelo governo de São Paulo para impulsionar publicações elogiosas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em perfis de entretenimento e fofoca no Instagram.
A iniciativa se baseia em levantamento da revista Piauí, que identificou mudança no conteúdo de páginas como “Alfinetei”, “Fofocas” e “Exclusivas da Fama”. Conhecidas por posts sobre celebridades, essas contas — que somam milhões de seguidores — teriam passado, em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a divulgar textos padronizados destacando ações da gestão estadual, como isenção de IPVA para motocicletas, inauguração de trechos do Rodoanel Norte e cobranças a concessionárias de energia.
Para o PT, a prática caracterizaria publicidade institucional disfarçada de conteúdo orgânico, em desacordo com a Constituição e passível de enquadramento por improbidade administrativa e abuso de poder econômico.
Governo nega irregularidades
Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, o governo paulista afirmou não ter investido recursos públicos nas publicações citadas. A administração sustentou que suas campanhas são estritamente institucionais, voltadas à transparência e utilidade pública, e que obedecem aos princípios da legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.
A defesa do governador acrescentou que a popularidade de Tarcísio nas redes decorre de “gestão técnica e eficiente”, rechaçando a existência de pagamentos a influenciadores. Segundo os advogados, faltam provas materiais de repasses do erário para os perfis investigados.
Movimentação no Ministério Público paulista
Paralelamente, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), apresentou pedido semelhante ao Ministério Público de São Paulo. Ele solicita rastreamento de eventuais pagamentos e apuração de possível intermediação de agências de publicidade contratadas pelo governo estadual.
Boulos argumenta que o uso de contas de fofoca para promover autoridades públicas e atacar adversários precisa ser verificado “com rigor”, a fim de garantir transparência na comunicação política.
O PT, na representação à PGR, alega que há “robustos indícios” de financiamento ainda sem origem identificada por trás dos elogios a Tarcísio. O partido pede investigação para confirmar ou descartar o uso de recursos públicos e, se comprovada irregularidade, responsabilizar os envolvidos.
Até o momento, não há prazo definido para manifestação da PGR nem do Ministério Público de São Paulo sobre as representações.
Com informações de Gazeta do Povo