Home / Economia / PF pede ao STF investigação sobre suposta rede de influenciadores ligada a Daniel Vorcaro

PF pede ao STF investigação sobre suposta rede de influenciadores ligada a Daniel Vorcaro

ocrente 1768675836
Spread the love

Brasília — A Polícia Federal solicitou ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de um inquérito específico para apurar se o banqueiro Daniel Vorcaro financiou uma campanha de influenciadores digitais destinada a atacar o Banco Central (BC) e tentar reverter a liquidação do Banco Master.

O pedido, encaminhado em 17 de janeiro de 2026, menciona 46 perfis suspeitos de terem recebido orientações para desqualificar o BC e pressionar a autoridade monetária. A investigação é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que já havia alcançado Vorcaro e seu núcleo próximo.

Mensagens e contratos sob análise

De acordo com investigadores, conversas extraídas do celular de Vorcaro indicariam que, ainda antes da decretação da liquidação, ele repassou instruções a intermediários externos — agências que operam com influenciadores — para impulsionar conteúdos pró-Master nas redes sociais. As publicações também mirariam agentes públicos e instituições consideradas contrárias aos interesses do grupo.

Reportagem do jornal O Globo revelou contratos de até R$ 2 milhões com cláusulas de confidencialidade que previam multa de R$ 800 mil em caso de vazamento. O esquema foi apelidado de “Projeto DV”, em referência às iniciais do banqueiro.

Influenciadores relatam abordagem

Dois influenciadores com milhões de seguidores afirmaram ter sido procurados. Entre eles, o vereador Rony Gabriel (PL-RS), que assinou o acordo de sigilo para conhecer a proposta, mas recusou a oferta ao saber dos termos. A influenciadora Juliana Moreira Leite também relatou que declinou após verificar o teor das postagens exigidas.

Picos de ataques e alvos preferenciais

Levantamento da Febraban apontou um volume atípico de menções negativas entre 26 e 29 de dezembro, com reflexos até 5 de janeiro. Além do BC, a entidade bancária e o diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Dias Gomes, foram alvos recorrentes. Uma das mensagens afirmava: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos”.

Defesa nega envolvimento

A defesa de Vorcaro enviou petição ao STF negando qualquer participação no suposto uso de influenciadores e afirmou que o banqueiro “colabora com as investigações”.

Contexto da liquidação

O Banco Master foi liquidado pelo BC após suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões. Antes disso, o regulador já havia barrado a tentativa de venda do Master ao BRB, aumentando o escrutínio sobre a instituição.

Durante as apurações da Compliance Zero, a PF também encontrou um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, no valor de R$ 129 milhões em três anos, celebrado com o Banco Master — um dos elementos que reforçaram as investigações.

O pedido de abertura do novo inquérito agora aguarda decisão do ministro Dias Toffoli.

Com informações de Gazeta do Povo