Brasília — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta quinta-feira, 15 de janeiro, que sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto é “irreversível” e que pretende formar um “grande arco de alianças” reunindo partidos da direita e da centro-direita nas eleições de 2026.
A afirmação ocorreu na capital federal, após visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, pouco antes da transferência do pai para a cela especial conhecida como Papudinha. O parlamentar disse atuar por delegação direta do ex-chefe do Executivo e descartou a possibilidade de ser substituído na disputa.
Pesquisas animam núcleo bolsonarista
Flávio citou o levantamento Quaest divulgado na véspera, que mostrou avanço de seis pontos na intenção de voto: passou de 26% para 32% quando o governador paulista Tarcísio de Freitas não é incluído no cenário, diminuindo a diferença para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permanece com 39%. A sondagem ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de janeiro, margem de erro de dois pontos percentuais, e está registrada no TSE sob o protocolo BR-00835/2026.
Outro estudo, do Instituto Paraná Pesquisas, feito de 18 a 22 de dezembro de 2025, aponta empate técnico no segundo turno entre Lula (44,1%) e Flávio (41%), dentro da margem de 2,2 pontos.
Tarcísio e Michelle negam disputa interna
Rumores sobre eventuais alternativas dentro do campo conservador foram minimizados pelo senador. Ele afirmou manter diálogo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com Tarcísio de Freitas, nomes apontados por parte do Centrão como possíveis substitutos. O governador de São Paulo reafirmou publicamente, também nesta quinta (15), apoio explícito ao senador: “Meu candidato é o Flávio. A direita estará unida em torno dele”, declarou.
Movimentação de outras siglas
No campo da centro-direita, o PSD intensificou conversas sobre a eventual candidatura do governador paranaense Ratinho Jr. (PSD-PR). O partido, comandado por Gilberto Kassab, encomendou pesquisas internas para medir a viabilidade do nome, enquanto dirigentes de PP, Republicanos e União Brasil mantêm negociações para eventual composição.
Ideias para a vice-presidência também circulam. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), chegou a ser ventilado por lideranças como possível companheiro de chapa de Flávio. O mineiro, contudo, negou interesse. O próprio senador afirmou que não houve convite formal e que a escolha do vice será tratada em momento posterior.
Caminho até a convenção
Com o calendário eleitoral prevendo o prazo de desincompatibilização em 4 de abril, dirigentes partidários avaliam que o cenário permanecerá em aberto nas próximas semanas. Apesar disso, aliados de Flávio consideram que o crescimento nas pesquisas e o endosso do ex-presidente Jair Bolsonaro fortalecem a estratégia de apresentar um único projeto conservador já no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, concluiu: “Vou seguir conversando com todos. Queremos um palanque forte nos maiores colégios eleitorais e um programa que reúna direita e centro-direita em torno de valores comuns”.
Com informações de Gazeta do Povo