Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, voltou a ser citado com intensidade nos protestos que se espalham pelo Irã e por comunidades iranianas no exterior. Em atos recentes, manifestantes exibiram cartazes e entoaram o nome do príncipe exilado, visto por parte da população como alternativa ao atual regime teocrático.
De acordo com relatos reunidos pelo autor da matéria, mais de 12 mil pessoas morreram durante a repressão aos protestos conduzida pelo governo dos aiatolás. Mesmo diante da violência, grupos dentro e fora do país reivindicam mudanças políticas profundas e apontam Pahlavi como possível liderança para uma transição.
Após quatro décadas de propaganda oficial que descrevia a monarquia como submissa ao Ocidente, novas gerações de iranianos têm revisitado o período anterior a 1979. Pesquisas acadêmicas e documentos recentemente desclassificados, citados no texto, sugerem que parte da narrativa sobre o antigo xá foi amplificada para justificar a revolução islâmica. Esse novo olhar contrasta a modernização e a governança secular de então com a crise econômica e social vivida hoje.
O cenário de oposição interna é descrito como fragmentado e, em muitos casos, distante da confiança popular. Nesse contexto, Pahlavi desponta como opção sem histórico de participação em atos de violência ou vínculos com grupos extremistas. Ele defende publicamente a realização de um referendo para que a população escolha entre manter uma república ou restaurar uma monarquia constitucional.
Segundo o artigo, a postura do regime diante de protestos pacíficos — marcada por prisões e mortes — coloca a comunidade internacional diante de um dilema: apoiar um processo de transição liderado por uma figura que possa unificar diferentes setores ou repetir a posição de neutralidade adotada em 1979, quando radicais acabaram assumindo o poder.
A discussão sobre o futuro político do Irã, ressaltam os manifestantes, ultrapassa as fronteiras nacionais e pode impactar a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Com informações de Pleno.News