Protestos em todo o Irã, impulsionados por colapso econômico e insatisfação política, têm deixado cristãos no país em estado de medo, isolamento e incerteza, segundo relatos enviados a um ministério que apoia refugiados iranianos.
Comunicações cortadas e relatos de mortes
Fontes ouvidas sob anonimato destacam que autoridades derrubaram o acesso à internet e às linhas telefônicas em várias regiões, dificultando o contato entre familiares e amigos. Alguns entrevistados afirmam ter perdido contato com parentes por dias e relatam mortes de conhecidos durante as manifestações.
“Vários amigos e conhecidos perderam a vida”, contou o irmão S, cristão que teme represálias. As versões coincidem com reportagens internacionais que apontam repressão crescente, prisões em massa e números elevados de vítimas — ainda sem confirmação independente devido às restrições de acesso.
Crise econômica amplia tensão
O irmão R descreveu protestos motivados por alta de preços, falta de serviços essenciais e descontentamento político. “As pessoas não têm eletricidade, gás nem água. Algumas cidades estão cobertas de neve e não conseguimos falar com o interior do país”, declarou.
A desvalorização do rial teria reduzido o poder de compra a ponto de famílias não conseguirem adquirir itens básicos. “As mesas da classe pobre ficaram vazias”, reforçou o irmão A, que está há quatro dias sem notícias dos parentes.
Perigo para minorias religiosas
Pastores e líderes alertam que leis como moharebeh — “fazer guerra contra Deus” — podem ser usadas contra manifestantes e minorias, inclusive cristãos convertidos do islamismo. A acusação prevê punições que vão de exílio à pena de morte.
Um pastor identificado como A afirmou que igrejas clandestinas não sabem a real situação de fiéis presos. “Estamos orando e aguardando. A única informação vem de TV e sites estrangeiros”, disse.
Número de cristãos e posição do país
Estima-se que o Irã abrigue entre algumas centenas de milhares e mais de um milhão de cristãos em meio a 93 milhões de habitantes. O país ocupa o 10º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas.
Mesmo diante do cenário de incerteza, entrevistados dizem manter a fé. “Sabemos que Deus está no controle”, declarou o irmão A. O pastor A agradeceu a atenção internacional: “Falar sobre o Irã nos ajuda a permanecer conectados com o mundo”.
Com informações de Folha Gospel