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Conselho de Medicina do RJ é impedido de inspecionar navio-hospital chinês atracado no Rio

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Médicos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) foram impedidos de realizar uma vistoria completa no navio-hospital chinês Silk Road Ark, atracado no Píer Mauá, no centro do Rio, na terça-feira, 13 de janeiro de 2026.

O conselheiro Raphael Câmara, que acompanhava um médico-fiscal da entidade, relatou que uma autoridade consular chinesa interrompeu a tentativa de inspeção e adotou postura hostil, recusando-se a dialogar ou receber ofício do Conselho. Ainda de acordo com Câmara, cerca de dez militares chineses desembarcaram de uma van e permaneceram em solo brasileiro observando a ação, o que teria intimidado a equipe.

Segundo o CREMERJ, a fiscalização do ato médico é obrigação legal no país, incluindo missões humanitárias com profissionais estrangeiros. No entanto, tratados como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garantem imunidade jurisdicional a navios de Estado — categoria que engloba navios-hospitais —, impedindo a entrada de autoridades locais sem autorização do país de bandeira.

Marinha diz que não haverá atendimento

Em nota, a Marinha do Brasil informou que a permanência do Silk Road Ark no Rio foi autorizada pelo governo brasileiro com caráter “oficial e diplomático” e que não está previsto atendimento de saúde à população. O órgão afirmou também que a programação da visita é coordenada com a Prefeitura do Rio e o Consulado da China.

Pedidos de esclarecimento

Diante de relatos sobre possíveis atendimentos médicos anteriores na embarcação, o CREMERJ enviou ofícios à Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) e à Marinha do Brasil na segunda-feira, 12 de janeiro, solicitando informações em 72 horas. Até esta quarta-feira (14), o Conselho não havia recebido respostas nem retorno do Consulado chinês.

Relatos colhidos por fiscais e moradores apontam versões divergentes: alguns afirmam que houve dois dias de consultas, outros dizem que o serviço seria restrito a cidadãos chineses. No momento da tentativa de vistoria, porém, nenhum atendimento estava em curso, segundo o CREMERJ.

Missão Harmony-2025

De acordo com a Embaixada da China, o Silk Road Ark partiu de Quanzhou em 5 de setembro de 2025 para a 11ª edição da Missão Harmony, voltada a intercâmbio médico, científico e cultural. A viagem de 220 dias deve passar por cerca de uma dúzia de países, tendo o Brasil como primeiro destino na América do Sul.

Já a SES-RJ informou que não há comunicação oficial das autoridades chinesas sobre oferta de serviços de saúde e que a escala do navio decorre de pedido da Marinha chinesa à Marinha brasileira, cabendo à União a condução diplomática e a fiscalização.

O Silk Road Ark tem saída prevista do porto carioca para quinta-feira, 15 de janeiro.

Com informações de Gazeta do Povo