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Ameaça de tarifa de 25% dos EUA a parceiros do Irã põe Brasil em alerta

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Brasília — O ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou na segunda-feira, 12 de janeiro, que pretende aplicar uma tarifa de 25% “em toda e qualquer transação comercial realizada com os Estados Unidos” a qualquer país que mantenha negócios com a República Islâmica do Irã. A medida, divulgada na rede Truth Social, acendeu o sinal de alerta para o Brasil, que tem no mercado iraniano um cliente relevante, principalmente para o agronegócio.

Em comunicado feito nesta terça-feira (13), o governo dos Estados Unidos aconselhou seus cidadãos a deixarem o território iraniano, após a repressão do regime de Teerã a manifestações iniciadas na última semana de dezembro.

Setores brasileiros expostos

Caso a nova tarifa seja implementada sem exceções, os segmentos brasileiros mais suscetíveis são petróleo, ferro e aço, carne, café e suco de laranja, segundo a analista de macroeconomia Sara Paixão, da InvestSmartXP. “Commodities podem ser redirecionadas para outros mercados com relativa facilidade, ao contrário de produtos industriais, como os da cadeia aeroespacial”, explicou.

A especialista lembra que, em tarifas anteriores aplicadas pelos EUA, vários itens foram posteriormente excluídos. Hoje, produtos brasileiros enfrentam uma alíquota de 10% mais um adicional de 40%, mas os 50% cheios incidem sobre poucos itens.

Irã: 11º destino do agro brasileiro

Conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Irã comprou US$ 2,92 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, o que o coloca na 11ª posição entre os maiores importadores. Milho foi o principal item, respondendo por US$ 1,98 bilhão — 23,1% de todas as exportações brasileiras do cereal no ano passado.

Apesar da importância, Sara Paixão avalia que um eventual embargo iraniano teria impacto limitado na economia nacional. “Os produtos vendidos ao Irã são, em grande parte, commodities que podem encontrar outros compradores”, disse.

Dependência de fertilizantes e possíveis efeitos

Enquanto o Brasil registrou superávit comercial de US$ 2,83 bilhões com o Irã em 2025, as compras brasileiras somaram apenas US$ 84,6 milhões, 79% referentes à ureia, principal fertilizante nitrogenado usado no campo. Oficialmente, 184,7 mil toneladas vieram do Irã, mas parte da produção persa é exportada via Omã, que enviou 1,2 milhão de toneladas ao Brasil no ano passado.

Renata Cardarelli, especialista da consultoria Argus, aponta incertezas sobre como a eventual tarifa afetaria o mercado de ureia. “Produtores aguardam um posicionamento oficial dos Estados Unidos para saber se haverá custos adicionais”, afirma. Ela observa que, se a sobretaxa atingir fertilizantes russos — hoje isentos no mercado norte-americano —, parte da oferta da Rússia pode ser redirecionada ao Brasil, reduzindo a dependência do produto iraniano.

Reação de Brasília

O Palácio do Planalto acompanha o assunto de perto. De acordo com a CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou sua equipe a evitar reações precipitadas e priorizar esforços diplomáticos. Caso a ameaça avance, Lula não descarta conversar diretamente com Trump para enfatizar que o relacionamento Brasil-Irã é basicamente comercial e focado em segurança alimentar.

Em nota divulgada nesta terça-feira (13), o governo brasileiro afirmou acompanhar “com preocupação” os protestos no Irã, que já teriam deixado cerca de 2 mil mortos, e defendeu que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”. O texto lamenta as mortes e apresenta condolências às famílias das vítimas.

Com informações de Gazeta do Povo