O navio-hospital chinês Silk Road Ark está atracado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, desde sexta-feira (9) e permanece na cidade até 15 de janeiro. A presença da embarcação, divulgada pela Embaixada da China como parte de um programa de “intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais”, levou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) a solicitar informações formais sobre possíveis serviços médicos a bordo.
Em ofício encaminhado nesta segunda-feira (12) à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), o CREMERJ deu prazo de 72 horas para resposta. O pedido se baseia na Lei nº 3.268/1957 e em normas do Conselho Federal de Medicina, que determinam fiscalização de todo ato médico no país, inclusive em missões humanitárias ou diplomáticas.
Questionamentos do conselho
No documento, ao qual a reportagem teve acesso, o conselho pergunta se há oferta de atendimento ao público, quem seria o público-alvo, se existe autorização das autoridades brasileiras e se os profissionais estrangeiros estão registrados em conselhos regionais, conforme exige a Resolução CFM nº 2.216/2018. Também solicita a indicação de responsável técnico inscrito no CRM e reforça a proibição de atuação médica sem registro.
Estado nega atendimento
Procurada, a SES-RJ afirmou que o navio realiza apenas visita de caráter diplomático e que não estão ocorrendo atendimentos médicos. Segundo a pasta, a embarcação dispõe de estrutura para ações humanitárias em outros contextos, mas, nesta passagem pelo Rio, não há previsão de consultas ou cirurgias.
O CREMERJ informou que fará fiscalização presencial para confirmar a informação. “A princípio, trata-se de um intercâmbio com a Marinha brasileira e a secretaria estadual, sem atendimento à população”, disse o conselheiro Raphael Câmara, que também integra o Conselho Federal de Medicina. Ele ressalvou que a posição do órgão poderá mudar se forem constatados atos médicos.
Comunicação com a Marinha
O conselho também enviará ofício à Marinha do Brasil, responsável por autorizar e fiscalizar embarcações estrangeiras em portos nacionais. A força naval foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Recepção oficial do governo fluminense
Antes do ofício do CREMERJ, o governo do Rio recepcionou a delegação chinesa. A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, representou o governador Cláudio Castro em encontro com o contra-almirante Fang Jinsong, da Marinha do Exército de Libertação Popular da China. A visita integra a 11ª Missão Harmony, iniciada em 2010 para reforçar cooperação internacional na área de saúde.
De acordo com a SES-RJ, a missão prevê, em outros países, atendimentos e capacitação profissional, mas, no Rio, o cronograma está restrito a intercâmbios científicos. O Silk Road Ark possui 14 departamentos clínicos e capacidade para executar mais de 60 tipos de procedimentos.
Rota da Seda marítima
Segundo a embaixada chinesa, o navio partiu de Quanzhou, província de Fujian, em 5 de setembro de 2025, para uma jornada de 220 dias que inclui cerca de uma dúzia de países — o Brasil é o primeiro destino na América do Sul. O nome da embarcação associa-se à Belt and Road Initiative, estratégia de projeção internacional de Pequim.
O Silk Road Ark permanece aberto a visitas institucionais até quinta-feira (15), quando deixa o porto carioca.
Com informações de Gazeta do Povo