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Apesar de aviso de Washington, Diosdado Cabello insiste em ataques aos EUA após prisão de Maduro

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Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela e considerado o segundo nome mais poderoso do chavismo, mantém discurso confrontador contra os Estados Unidos mesmo após receber um alerta do governo de Donald Trump para não atrapalhar a transição política no país.

De acordo com três fontes oficiais ouvidas pela agência Reuters e citadas em 6 de janeiro, três dias depois da operação que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Washington informou a Cabello que ele poderá tornar-se alvo prioritário se não colaborar com a líder interina, Delcy Rodríguez, e com as exigências americanas.

Provocações em série

Na própria terça-feira (6), Cabello divulgou um vídeo ao lado de militares anunciando reforço em postos de controle e repetindo lemas de lealdade ao regime: “Sempre leais, jamais traidores” e “duvidar é traição”. Na sequência, seu ministério divulgou nota afirmando ter “compromisso com a defesa integral da pátria diante dos ataques imperialistas”.

No dia seguinte (7), no programa “Con El Mazo Dando”, transmitido pela estatal VTV, Cabello declarou que a ação norte-americana deixou “pelo menos cem mortos”, número não confirmado por fontes independentes. Chamou as vítimas de “mártires” e dedicou a edição a Maduro e Flores.

Na noite de quinta-feira (8), diante de simpatizantes na Plaza O Leary, em Caracas, classificou a captura do ex-mandatário como “sequestro” e disse que o país está em paz porque o chavismo mantém “monopólio e pleno controle” das Forças Armadas.

Mesmo quando menciona conversas com Washington, Cabello não poupa críticas. Em 12 de janeiro, durante coletiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), aprovou a reaproximação diplomática em negociação por entender que a presença consular venezuelana nos EUA poderá “zelar pela segurança e saúde” de Maduro e Flores, que considera “sequestrados”.

Perfil do número 2 do chavismo

Militar reformado de 62 anos, Cabello acompanhou Hugo Chávez na fracassada tentativa de golpe de 1992, passou dois anos preso e, após a eleição de Chávez em 1999, ocupou diversos cargos: diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações, ministro da Secretaria da Presidência, vice-presidente e presidente interino em abril de 2002. Também chefiou os ministérios do Interior (2002-2003), Infraestrutura e Obras Públicas, foi governador de Miranda e presidiu a Assembleia Nacional.

Em agosto de 2024, reassumiu o comando do Interior para coordenar a repressão a protestos contra a contestada reeleição de Maduro. Cabello enfrenta acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e narcotráfico. Indiciado em março de 2020 em Nova York por conspiração para narcoterrorismo e envio de cocaína aos EUA, teve a recompensa por sua captura elevada para US$ 25 milhões em 2025 e permanece sob sanções norte-americanas.

Até o momento, Cabello segue ignorando o aviso de Washington e reforçando o tom antiamericano, enquanto o governo interino tenta consolidar a transição após a queda de Maduro.

Com informações de Gazeta do Povo