Militantes identificados como pastores fulani mataram dez cristãos durante ataques realizados na noite de sábado, 10 de janeiro, e na madrugada de domingo em quatro comunidades do condado de Donga, estado de Taraba, leste da Nigéria.
Segundo o morador Orlaer William, as aldeias predominantemente cristãs de Iornem, Kyahar, Uhula e Samgambe foram invadidas, incendiadas e saqueadas. “Dez cristãos foram mortos, isso eu posso confirmar”, declarou William ao Christian Daily International–Morning Star News. Ele acrescentou que, enquanto enviava o relato na manhã de domingo, novas ofensivas ainda ocorriam em povoados vizinhos.
O conjunto de comunidades atacadas fica a aproximadamente oito quilômetros da cidade de Donga. William afirmou que, até o momento, não houve intervenção de forças de segurança nigerianas e que os sobreviventes se encontram desprotegidos.
Outros moradores, como Kpeibee Twin e Mercy Emmanuel, confirmaram a ação armada. “Quando teremos paz no estado de Taraba? Ó Deus, tenha misericórdia de nós”, questionou Emmanuel na mensagem enviada ao mesmo veículo. A residente Adegwa Uba reforçou o apelo: “Precisamos das suas orações”.
Contexto dos ataques
Com milhões de integrantes espalhados pela Nigéria e pelo Sahel, os fulanis são majoritariamente muçulmanos e dividem-se em centenas de clãs. Embora nem todos adotem posições extremistas, parte dessas milícias segue ideologia islâmica radical, aponta relatório de 2020 do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença (APPG) do Reino Unido. O documento destaca que os radicais fulanis utilizam táticas semelhantes às do Boko Haram e do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), mirando cristãos e símbolos da fé cristã.
Líderes cristãos locais atribuem as ofensivas a uma tentativa de tomar terras agrícolas e impor o islamismo, especialmente diante do avanço da desertificação, que dificulta a criação de gado dos fulanis.
Nigéria continua entre os países mais perigosos para cristãos
De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2025, elaborada pela Missão Portas Abertas, a Nigéria respondeu por 3.100 das 4.476 mortes de cristãos registradas globalmente no período analisado, o equivalente a 69% dos casos. O país ocupa o sétimo lugar no ranking dos 50 mais hostis à fé cristã, com nível máximo de violência segundo a metodologia do relatório.
Além dos fulanis, grupos jihadistas como Boko Haram e ISWAP se mantêm ativos no norte nigeriano, onde o controle governamental é limitado. As ações envolvem massacres, sequestros para resgate e ataques a bloqueios rodoviários. Há registros de expansão da violência para o sul e do surgimento, no noroeste, do grupo Lakurawa, ligado à rede Al-Qaeda por meio da Jamaa Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin (JNIM).
Com informações de Folha Gospel