Caracas – O agente Edison José Torres Fernández, 52 anos, morreu no sábado (10) enquanto estava detido em um centro da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) em Caracas, informou na madrugada deste domingo (11) o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (CLIPP).
Segundo a ONG, o policial, que atuava na brigada hospitalar de Guanare, capital do estado de Portuguesa, havia sido preso em 9 de dezembro de 2025 por compartilhar mensagens consideradas críticas ao governo de Nicolás Maduro e ao governador chavista Primitivo Cedeño. Extraoficialmente, foram atribuídos a ele os crimes de traição à pátria e associação criminosa.
Torres Fernández morreu dois dias depois de autoridades venezuelanas anunciarem a libertação de “um número importante de pessoas” sob custódia do Estado. O CLIPP afirma que ainda não há dados oficiais sobre as causas do óbito nem sobre o atendimento médico fornecido ao agente.
“Esta falta de informação e de transparência torna o Estado responsável por sua vida e integridade”, declarou a organização, que cobrou investigação “imediata, independente e transparente” e a libertação de todos os presos políticos. A ONG contabiliza 22 mortes sob custódia estatal no país desde 2014.
Repercussão política
O partido opositor Primeiro Justiça responsabilizou “diretamente o regime de Delcy Rodríguez”, presidente interina desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, ocorrida há uma semana. A legenda exigiu “liberdade imediata, plena e incondicional para todos os presos políticos, civis e militares”.
Libertações a conta-gotas
Na quinta-feira (8), o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, anunciou futuras liberações de detentos venezuelanos e estrangeiros sem detalhar números ou condições. Desde então, o Foro Penal registrou a soltura de 16 pessoas e calcula que ainda existam 804 presos políticos. Já a Plataforma Unitária Democrática (PUD) contabiliza 22 libertações até agora e pede agilidade para encerrar “o sofrimento” dos detidos.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que a Venezuela “começou o processo, em grande estilo, de liberar seus presos políticos” e disse esperar que os beneficiados “lembrem a sorte que tiveram de os EUA chegarem e fazerem o que tinha que ser feito”.
Com informações de Gazeta do Povo