Copenhague – 11 jan. 2026. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou neste domingo (11) que seu país, a Europa e os demais aliados ocidentais chegaram a uma “encruzilhada” diante do impasse com os Estados Unidos sobre a Groenlândia.
Em discurso durante o evento de Ano-Novo do Partido Social Liberal, transmitido pela emissora TV2, Frederiksen declarou que o “mundo como conhecemos” pode mudar caso o presidente norte-americano, Donald Trump, decida tomar o território autônomo dinamarquês pela força. “Se os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçar um aliado, então o mundo irá parar”, afirmou.
A premiê se recusou a comentar se existe um plano de contingência caso Washington adote medidas militares, justificando que “há perguntas que não serão respondidas publicamente neste momento”. Ela acrescentou que não conversa com Trump sobre a questão desde janeiro de 2025.
Reunião diplomática na próxima semana
Frederiksen informou que os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos se encontrarão na próxima semana. Segundo ela, Copenhague deixará “muito claro” que não fará concessões em “valores fundamentais”.
A chefe de governo concordou com o líder do Partido Social Liberal, Martin Lidegaard, de que é preciso convencer Washington de que não apenas a Dinamarca, mas toda a Europa, leva a sério a segurança no Ártico. Ainda assim, admitiu ao jornal Berlingske não ter certeza de que conseguirá dissuadir Trump de “simplesmente se apossar” da ilha.
Apoio na Otan e relação com os EUA
Frederiksen disse estar satisfeita com o “apoio maciço” recebido de outros países da Otan diante do conflito, embora tenha enfatizado que os Estados Unidos continuam sendo “o aliado mais importante” da Dinamarca, recordando a cooperação durante a Segunda Guerra Mundial.
Opiniões divergentes surgiram entre líderes partidários. Martin Lidegaard avaliou que “não teremos de volta os Estados Unidos que conhecíamos” e considerou a União Europeia o principal parceiro atual. Já a dirigente do Partido Conservador, Mona Juul, reconheceu a “situação difícil”, mas afirmou que Copenhague não pode prescindir de Washington, elogiando a possibilidade de “vários” aliados da Otan enviarem tropas à Groenlândia após Trump declarar que a ilha não está suficientemente protegida contra China e Rússia.
Com informações de Gazeta do Povo