O Itamaraty informou ao governo de Javier Milei que o Brasil deixará de representar a embaixada da Argentina na Venezuela. A decisão foi comunicada na sexta-feira (9.jan.2026) às chancelarias argentina e venezuelana, encerrando a custódia assumida por Brasília em agosto de 2024.
A tutela brasileira havia sido solicitada por Milei depois que Nicolás Maduro expulsou os diplomatas argentinos de Caracas. Naquele momento, o Brasil passou a zelar pelos bens, arquivos e interesses argentinos no país caribenho.
Postagem de Milei precipita ruptura
De acordo com o jornal argentino La Nación, o estopim para a retirada foi uma publicação de Milei celebrando a captura de Maduro por militares dos Estados Unidos em 3 de janeiro. No vídeo, o presidente argentino vinculou Luiz Inácio Lula da Silva ao líder chavista, encerrando a mensagem com uma foto dos dois abraçados.
Lula classificou a operação norte-americana como “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e advertiu, em nota, que ações desse tipo abrem caminho para “um mundo de violência, caos e instabilidade”.
Itália deve assumir a representação
Segundo o La Nación, o governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, aceitará a custódia da embaixada argentina em Caracas. O Brasil permanecerá responsável apenas pela representação diplomática do Peru, também expulsa por Maduro em 2024.
Crise diplomática começou em 2024
Em julho de 2024, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou a reeleição de Maduro com 51% dos votos contra 44% do opositor Edmundo González, sem divulgar as atas de votação. Países que contestaram o resultado — entre eles Argentina e Peru — tiveram seus diplomatas expulsos.
Com o pedido de Buenos Aires, o Brasil assumiu, em 5 de agosto de 2024, a guarda das chancelarias dos dois países. À época, Milei agradeceu “enormemente” a Lula e ressaltou os “laços de amizade” entre as nações.
A crise ganhou novo capítulo em 3 de janeiro de 2026, quando tropas norte-americanas prenderam Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de narcotráfico. O casal se apresentou a um tribunal dos EUA em 5 de janeiro e declarou inocência.
Com a saída brasileira da custódia, a embaixada argentina em Caracas deverá passar para mãos italianas, enquanto Brasil e Venezuela ajustam os detalhes da transição.
Com informações de Gazeta do Povo