A Dinamarca autorizou suas Forças Armadas a abrir fogo contra qualquer incursão militar norte-americana na Groenlândia. A decisão, anunciada em 10 de janeiro de 2026, marca o ponto mais tenso de uma disputa que envolve a Casa Branca, o governo dinamarquês e a autonomia da maior ilha do planeta.
Pressão de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta comprar ou anexar a Groenlândia dentro da chamada “Doutrina Donroe”, releitura da Doutrina Monroe que busca excluir potências rivais do hemisfério ocidental. Segundo Trump, o controle direto do território é vital para proteger a fronteira norte contra mísseis russos e chineses. O vice-presidente J.D. Vance reforçou que o escudo antimísseis dos EUA “depende criticamente” da ilha.
A Casa Branca admite usar a força caso as negociações falhem. O conselheiro Stephen Miller declarou que “o mundo é governado pela força”, enquanto Trump definiu a operação como “a maior transação imobiliária da história em termos de área”. Internamente, autoridades norte-americanas avaliam oferecer cerca de US$ 5 mil por ano a cada um dos 57 mil habitantes em troca de apoio popular, além de propor um acordo de livre associação semelhante aos firmados com micro-Estados do Pacífico.
Minérios estratégicos no centro da disputa
A Groenlândia abriga reservas de lítio, cobalto, níquel e terras raras, como o neodímio, insumos considerados cruciais para equipamentos militares e eletrônicos. Hoje, China e Rússia dominam a produção mundial desses minerais. Para Washington, controlar a extração na ilha daria vantagem tecnológica decisiva.
Resistência local e europeia
Apesar do desejo de independência em relação a Copenhague, líderes groenlandeses rejeitam a ideia de se tornarem norte-americanos. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen pediu o fim “das fantasias de anexação” e reafirmou que o futuro da ilha “cabe somente ao seu povo”.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu que qualquer tentativa de tomada forçada resultaria na dissolução imediata da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para reforçar o recado, o Ministério da Defesa emitiu ordem permitindo que soldados disparem sem aguardar novas instruções se tropas estrangeiras desembarcarem na ilha.
Nervosismo na Otan e nos mercados
No quartel-general da Otan, em Bruxelas, diplomatas europeus avaliam oferecer aos EUA acesso ampliado aos recursos minerais ou fortalecer a presença militar da aliança na Groenlândia sob comando conjunto, tentando evitar confronto direto entre aliados. Trump, porém, insiste que a “propriedade” formal do território é indispensável.
A tensão também chegou aos mercados de apostas. Plataformas como Polymarket e Kalshi movimentam milhões de dólares em contratos que calculam a chance de Washington adquirir a ilha antes do fim do mandato de Trump, em 2029. Analistas de risco apontam 2026 como ano decisivo para a estabilidade das instituições internacionais.
Por enquanto, a diretriz dinamarquesa de “atirar primeiro” e a retórica da Casa Branca mantêm a Groenlândia no epicentro de uma crise que coloca em risco a coesão da principal aliança militar do Ocidente.
Com informações de Gazeta do Povo