Moscou – O Ministério da Defesa da Rússia confirmou nesta sexta-feira (9) que empregou o míssil balístico hipersônico Oreshnik no bombardeio realizado na noite anterior contra alvos ucranianos.
Segundo a pasta russa, o lançamento foi uma resposta ao que chamou de “ataque terrorista” de Kiev à residência do presidente Vladimir Putin, na região de Novgorod, em 29 de dezembro — versão rejeitada pelas autoridades ucranianas.
Alcance e capacidade
Informações do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, divulgadas pela emissora CNN, classificam o Oreshnik como um míssil balístico de alcance intermediário, capaz de percorrer entre 965 km e 1,6 mil km. O armamento pode transportar ogivas nucleares ou convencionais e carrega múltiplas ogivas independentes, o que permite atingir diferentes alvos a partir de um único disparo.
De acordo com as Forças Armadas ucranianas, o projétil foi utilizado para atingir instalações de energia na região de Lviv, próxima à fronteira com a Polônia. Em novembro de 2024, o Oreshnik já havia sido empregado contra uma fábrica de equipamentos militares na região de Dnipro.
Reações internacionais
Para Pavel Podvig, diretor do Projeto de Forças Nucleares da Rússia, ouvido pela agência Reuters, o uso do míssil tem caráter de “aviso” e evidencia uma disposição de Moscou em elevar a tensão no conflito. “É provável que o Ocidente interprete dessa forma”, afirmou.
Em publicação na rede X, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, classificou o ataque próximo às fronteiras da União Europeia e da Otan como “grave ameaça à segurança europeia” e disse que o país informará parceiros ocidentais e organismos internacionais sobre o episódio. Sybiha chamou de “absurda” a justificativa russa baseada no suposto ataque à residência de Putin.
O governo da Letônia anunciou que solicitará uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir os ataques e o emprego do Oreshnik.
Com o novo lançamento, o míssil hipersônico volta ao centro do conflito e amplia a pressão diplomática sobre Moscou, Kiev e aliados ocidentais.
Com informações de Gazeta do Povo