Brasília — 09/01/2026 — A Transparência Internacional (TI) cobrou nesta sexta-feira (9) uma retratação da Casa Civil da Presidência da República após classificar como “assédio” as declarações do governo federal contra a filial brasileira da organização.
Em carta assinada pelo presidente do conselho global da TI, François Valérian, a entidade afirmou que autoridades têm tentado deslegitimar o trabalho da Transparência Internacional Brasil desde que, na segunda-feira (5), a ONG divulgou nota técnica apontando falhas de transparência nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Casa Civil menciona investigação inexistente, diz TI
Na resposta à nota técnica, a Casa Civil, comandada pelo ministro Rui Costa, referiu-se à TI Brasil como “ONG investigada pela Polícia Federal”. Valérian declarou que não há registro público de qualquer investigação, questionando de que forma o governo teria acesso a suposta apuração. “Isso levanta sérias questões sobre a invocação de informações confidenciais para fins políticos”, escreveu.
Pedido formal de esclarecimentos
A organização solicitou que a Casa Civil esclareça “sem demora” as declarações, se abstenha de “alegações infundadas” e reafirme compromisso com a proteção do espaço cívico. Para Valérian, o governo adotou “intimidação e ataque à reputação” em vez de diálogo democrático, postura que considera incompatível com o discurso oficial de participação social.
Histórico de pressões
A TI lembrou ainda que a filial brasileira enfrenta “assédio jurídico contínuo” há vários anos, baseado em acusações já refutadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Segundo a entidade, tentativas de silenciar organizações da sociedade civil minam a confiança pública e enfraquecem mecanismos de combate à corrupção.
Até o momento, a Casa Civil não se manifestou sobre o pedido de retratação.
Com informações de Gazeta do Povo