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Captura de Maduro alimenta discussão nas redes sobre possível “partilha” global entre potências

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Brasília — A detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no sábado (3), voltou a impulsionar nas redes sociais a tese de que Estados Unidos, Rússia e China estariam dispostos a dividir o mundo em zonas de influência.

Ao anunciar a operação, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que “este é o nosso hemisfério e o presidente Donald Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada”. A fala reforçou a narrativa de que Washington busca restabelecer a antiga Doutrina Monroe, priorizando controle político e militar sobre as Américas.

Três esferas no mapa

Ilustrações que circulam na internet mostram o planeta repartido em três blocos: EUA controlando o Hemisfério Ocidental, Rússia dominando leste europeu e África, e China expandindo-se pela Ásia. A leitura ganhou fôlego após a publicação, ainda antes da captura de Maduro, da mais recente Estratégia de Segurança Nacional norte-americana, que menciona “engajamento e expansão” no Hemisfério Ocidental.

Macron vê “tentação” de fatiar o mundo

Em 8 de janeiro, no discurso anual aos embaixadores franceses, em Paris, o presidente Emmanuel Macron afirmou que “as instituições multilaterais funcionam com cada vez menos eficácia” e que há “uma verdadeira tentação de dividir o mundo” entre grandes potências.

Análises e controvérsias

Em artigo na revista The Atlantic, a jornalista Anne Applebaum recordou depoimento de 2019 da ex-assessora do Conselho de Segurança Nacional Fiona Hill, segundo o qual Moscou teria oferecido trocar a Venezuela — seu aliado mais próximo na América Latina — pela Ucrânia, invadida em 2022. Para Applebaum, os EUA passaram a flertar com o mesmo conceito de esferas de influência defendido pelo Kremlin.

No Financial Times, o colunista Gideon Rachman cunhou a expressão “Doutrina Donroe” — mistura de “Donald” com “Monroe” — para descrever a possível convergência entre a política externa de Trump e acordos tácitos com Rússia e China. Rachman citou ainda as investidas do republicano sobre Groenlândia (Dinamarca), Canal do Panamá e até o Canadá, que Trump chegou a sugerir como “51º estado” dos EUA.

Visão cética

O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, ouvido pela Gazeta do Povo, considera “exagero” falar em um pacto tripartite para repartir o planeta. Para ele, embora Washington queira ampliar sua influência na América Latina, também atua para conter China e Rússia em outras frentes, como Taiwan, Japão, Índia e Ucrânia.

“É difícil acreditar em um plano para dividir o mundo em três áreas. Os EUA procurarão minar qualquer potência ascendente, hoje principalmente a China, além da Rússia, que ainda possui força”, avaliou Lucena.

Com informações de Gazeta do Povo