Moscou, 8 jan. 2026 – O Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu nesta quinta-feira (8) que eventuais tropas de paz enviadas por países ocidentais à Ucrânia serão consideradas “alvos militares legítimos” pelas Forças Armadas russas.
A declaração foi feita pela porta-voz da chancelaria, Maria Zakharova, dois dias após Reino Unido e França assinarem uma carta de intenções prevendo o envio de contingentes e a instalação de bases militares em território ucraniano, caso um cessar-fogo seja firmado.
Aviso ao Reino Unido, França e aliados
Segundo Zakharova, “o deslocamento de unidades militares e a criação de bases, depósitos e outras infraestruturas ocidentais na Ucrânia configuram intervenção estrangeira que ameaça diretamente a segurança da Rússia e de outros países europeus”. A diplomata acrescentou que todas essas unidades e instalações “serão tratadas como alvos militares legítimos” e ressaltou que avisos semelhantes “já foram feitos reiteradamente no mais alto nível”.
Ela também acusou Londres, Paris e Kiev de formarem um “verdadeiro eixo de guerra” por meio da chamada “Coalizão de Voluntários”.
Planos de paz em disputa
O alerta de Moscou ocorre em meio a propostas de cessar-fogo ainda sem consenso. Em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um plano de 28 pontos que incluía o reconhecimento internacional da Crimeia, Lugansk e Donetsk como territórios russos, a limitação do efetivo militar ucraniano a 600 mil soldados (atualmente estimado em cerca de 900 mil) e a inclusão, na Constituição da Ucrânia, de cláusula que impedisse a adesão à Otan. Em troca, Kiev receberia garantias de segurança contra novas invasões.
Na véspera do Natal, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, respondeu com uma contraproposta de 20 pontos. O documento ucraniano não abre mão da futura entrada na Otan nem reconhece a soberania russa sobre a Crimeia ou outras áreas ocupadas. Entre as opções sugeridas estão congelar a atual linha de frente em Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson, ou desmilitarizar a parte de Donetsk ainda controlada por Kiev, que seria protegida por tropas internacionais mediante referendo nacional.
A Rússia afirmou que a proposta de Zelensky “difere radicalmente” do texto discutido anteriormente com Washington e ainda não apresentou resposta oficial.
Até o momento, não há indicação de quando decisões finais sobre os planos de paz ou sobre o eventual envio de forças de paz internacionais serão tomadas.
Com informações de Gazeta do Povo