Paris, 8 jan. 2026 – O presidente Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul durante a reunião do Conselho Europeu marcada para esta sexta-feira (9), em Bruxelas.
Em comunicado, Macron afirmou que existe “rejeição política unânime” ao pacto em seu país. Segundo o chefe de Estado, mesmo que o tratado seja assinado pelo bloco europeu, o processo de ratificação ainda poderá ser barrado.
Bloqueio difícil
Para impedir a adoção do acordo, Paris necessita formar uma “minoria de bloqueio” composta por pelo menos quatro países que representem 35% da população da UE — cenário que, de acordo com o governo francês, tornou-se improvável após a sinalização de mudança de posição da Itália.
Outra via mencionada é a não ratificação pelo Parlamento Europeu ou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para análise jurídica.
Pressão de agricultores
O anúncio coincidiu com protestos de produtores rurais franceses que chegaram a Paris nesta quinta-feira. Macron reconheceu “progressos inegáveis” obtidos pela Comissão Europeia em resposta às exigências francesas, mas manteve a oposição.
Entre as condições defendidas por Paris estão as chamadas “cláusulas espelho”, que exigem que carnes exportadas por Brasil ou Argentina sigam padrões sanitários e ambientais equivalentes aos europeus, e a criação de salvaguardas para conter queda de preços caso as importações cresçam rapidamente.
O presidente também citou os debates recentes na Assembleia Nacional e no Senado francês como prova da ampla resistência ao tratado e garantiu que seguirá cobrando da Comissão Europeia medidas adicionais para proteger o setor agrícola nacional.
Com informações de Gazeta do Povo