Nicolás Ernesto Maduro Guerra, 35 anos, apelidado de “Nicolasito”, ganhou destaque imediato como potencial sucessor do chavismo depois que seu pai, Nicolás Maduro, foi capturado em uma operação surpresa dos Estados Unidos. Único filho biológico do ex-presidente venezuelano, ele liderou manifestações pela libertação do pai e passou a ser visto como a face millennial do regime.
Trajetória acelerada no aparato estatal
Formado em Economia, “Nicolasito” acumula cargos na estrutura de poder desde cedo. Aos 23 anos, assumiu o recém-criado Corpo de Inspetores da Presidência, função destinada a pessoas de absoluta confiança de Maduro. Um ano depois, tornou-se coordenador da Escola Nacional de Cinema.
Em 2017, foi escolhido delegado para a Assembleia Constituinte — órgão que operou como Parlamento paralelo e aprofundou a crise institucional venezuelana. Atualmente, exerce o segundo mandato como deputado e comanda a Direção de Assuntos Religiosos do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Sanções e viagem à Coreia do Norte
Em 2019, “Nicolasito” divulgou nas redes sociais uma visita de quadros do PSUV à Coreia do Norte. Na viagem, registrada em vídeos nos quais aparecia cantando hinos bolivarianos, ele participou de eventos ao lado do líder norte-coreano, Kim Jong-un. A excursão ocorreu poucos dias depois de o Departamento do Tesouro dos EUA ter sancionado pai e filho por suposto aproveitamento de minas de ouro venezuelanas e apoio a ações de censura.
Programa de propaganda e papel eleitoral
Durante 2020, o herdeiro lançou o Maduro Guerra Live, usado para aproximar jovens do discurso chavista por meio de entrevistas com integrantes do alto escalão. O projeto foi suspenso meses depois, no momento em que o regime buscava ampliar o controle do Parlamento, missão na qual “Nicolasito” atuou de forma decisiva.
Acusações e episódios de ostentação
Nos Estados Unidos, ele responde a processo por crimes ligados ao narcotráfico em uma corte federal de Nova York. Dentro da Venezuela, coleciona polêmicas de ostentação: em 2015, apareceu em vídeo arremessando maços de dinheiro durante um casamento; em 2020, foi citado em denúncia de festa em condomínio de luxo durante a quarentena da Covid-19, caso que terminou com a prisão de um policial após reclamações de moradores.
Diante do vácuo de poder criado pela detenção de Nicolás Maduro, aliados do PSUV apontam “Nicolasito” como principal nome para manter a continuidade do chavismo.
Com informações de Gazeta do Povo