A detenção de Nicolás Maduro e o sinal verde à volta de petroleiras norte-americanas à Venezuela podem agravar o já frágil quadro fiscal brasileiro, ao mesmo tempo em que criam uma oportunidade imediata para as exportações de petróleo do Brasil para a China.
Risco fiscal em cenário de déficit
O governo brasileiro acumula déficit primário desde novembro de 2014. Entre maio e novembro de 2024, o rombo das estatais federais triplicou de 0,02% para 0,06% do PIB. Nesse contexto, qualquer queda nos dividendos da Petrobras aumenta a pressão sobre as contas públicas.
Retorno de gigantes dos EUA pode derrubar preços
Com Maduro fora do poder, a presidência venezuelana foi assumida por Delcy Rodríguez, que negocia a reabertura do setor para empresas como Exxon Mobil e Chevron. Analistas estimam que a produção local possa saltar de menos de 1 milhão para 3 milhões de barris por dia, elevando a oferta global e reduzindo os preços do petróleo.
Preços mais baixos significam menores lucros da Petrobras e, consequentemente, redução dos repasses de dividendos à União, principal acionista da companhia.
Sanções de Trump criam brecha para o Brasil
Enquanto isso, as sanções econômicas mantidas pelo presidente norte-americano Donald Trump ainda impedem a Venezuela de vender petróleo para a China, seu maior comprador. Esse vácuo abre espaço para que o Brasil se torne fornecedor alternativo de curto prazo. O ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates avalia que “o backup do óleo venezuelano para a China será o Brasil”.
Impactos divididos no curto e médio prazo
No curto prazo, a mudança beneficia as exportações brasileiras. No médio, o aumento da oferta global pode reduzir margens da Petrobras e adiar investimentos, embora combustíveis mais baratos aliviem a inflação.
Infraestrutura deteriorada vira oportunidade
Décadas de má gestão deixaram gasodutos, refinarias e portos venezuelanos sucateados. Para o analista Vitor Sousa, ativos podem ser adquiridos a preços baixos, atraindo empresas e investidores brasileiros com experiência na região.
Recuperação levará anos
Estimativa da consultoria Argus aponta que a restauração completa da indústria venezuelana deve demorar, devido à falta de manutenção e à escassez de mão de obra qualificada desde os anos 1990. Mesmo assim, papéis de Exxon Mobil e Chevron já reagiram positivamente à expectativa de retorno ao país.
Enquanto a Venezuela reorganiza sua produção, o Brasil acompanha de perto: menor preço do barril alivia o consumidor, mas pode apertar ainda mais o caixa federal caso os dividendos da Petrobras encolham.
Com informações de Gazeta do Povo