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TCU contesta liquidação do Banco Master e acirra embate com Banco Central

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Uma decisão inédita do Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um conflito institucional com o Banco Central (BC) ao mandar revisar os documentos que levaram à liquidação do Banco Master, autorizada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025. O processo, envolvendo fraudes bilionárias e investigações criminais, motivou reações de agentes do mercado financeiro, do Judiciário e de campanhas digitais que miram a credibilidade do regulador.

Como começou a crise

A liquidação do Banco Master ocorreu paralelamente à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros. Na mesma semana, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso ao tentar deixar o país.

Interferência questionada

Ao determinar inspeção nos papéis que embasaram a intervenção, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus classificou a medida do BC como “precipitada” e admitiu a possibilidade de reversão – algo sem precedentes, segundo analistas. O Banco Central recorreu, alegando extrapolação de competência e pedindo que o tribunal respeite seu regimento interno.

Reação do mercado

Relatórios da Genial Investimentos apontam risco de insegurança jurídica caso o TCU avance, o que poderia elevar o custo de captação do país e fragilizar a percepção sobre a autonomia do BC. Para Izak Carlos Silva, economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, a intervenção “demorou” diante da situação de insolvência do Master, que dependia de mais de 38 aportes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

STF entra no tabuleiro

O Supremo Tribunal Federal mantém o inquérito sobre irregularidades no banco sob sigilo absoluto e deverá arbitrar o conflito de competências entre TCU e BC. O caso envolve ainda um contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, citado por críticos como possível fonte de conflito de interesse.

Campanhas digitais

Influenciadores com grandes audiências relataram ter sido procurados para veicular conteúdo pago contra o Banco Central e em defesa do Master. O vereador e influenciador Rony Gabriel (PL-RS) afirmou ter recusado proposta financeira para associar a liquidação a “supostas falhas” do BC e proteger Daniel Vorcaro. A influenciadora Juliana Moreira Leite fez relato semelhante.

TCU afirma estar “sob ataque”

Em mensagem interna, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, defendeu o relator e disse que o tribunal “não pode se alienar de suas prerrogativas”, acrescentando que nenhuma instituição pública é imune ao controle externo. Ele também criticou a imprensa por, segundo ele, “reverberar uma única narrativa”.

Próximos passos

O impasse agora segue para o plenário do STF, que decidirá até onde vai a atuação do TCU sobre processos de resolução bancária conduzidos pelo BC. Especialistas ouvidos avaliam que o desfecho definirá parâmetros para futuras intervenções no sistema financeiro brasileiro.

Com informações de Gazeta do Povo