O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou, nesta terça-feira (6), uma versão revisada da denúncia contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro que suprime a maior parte das citações ao chamado “Cartel de Los Soles” e deixa de apontá-lo como líder da suposta organização criminosa.
O texto anterior, apresentado por um grande júri em 2020, sustentava que Maduro havia ajudado a criar, gerir e, posteriormente, comandar o cartel, argumento utilizado pelo então presidente Donald Trump para justificar operações antidrogas no Caribe. A conexão também foi destacada em agosto do ano passado, quando o governo norte-americano elevou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que resultassem na captura ou condenação do venezuelano.
Após a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na segunda-feira (5) em Caracas por forças de Washington, a Procuradoria dos EUA protocolou a nova acusação. O documento descreve o “Cartel de Los Soles” como “um sistema de clientelismo” e menciona o grupo apenas duas vezes, em contraste com as dezenas de referências registradas na peça de 2020.
Segundo a versão atualizada, Maduro “participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual elites venezuelanas poderosas enriquecem-se por meio do narcotráfico e da proteção de seus parceiros traficantes”. Os lucros, afirma o DOJ, “fluem para funcionários corruptos que atuam em um sistema de clientelismo dirigido pelos que estão no topo, conhecido como Cartel de Los Soles”.
Acusações mantidas
Apesar da mudança de linguagem, permanecem as acusações contra Maduro por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e explosivos, além de conspiração para posse dessas armas. Cilia Flores responde por conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e explosivos e conspiração para posse do mesmo armamento.
Em audiência realizada em um tribunal federal de Nova York na segunda-feira, Maduro e Flores declararam-se inocentes de todas as acusações.
Com informações de Gazeta do Povo