Caracas – O alto-comando das Forças Armadas da Venezuela declarou apoio à então vice-presidente Delcy Rodríguez poucas horas depois da prisão de Nicolás Maduro e de Cilia Flores por militares dos Estados Unidos, no sábado, 3 de janeiro de 2026.
Em comunicado lido pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, os militares reconheceram Rodríguez como chefe do Executivo interino. Com o respaldo castrense, ela foi oficialmente empossada na segunda-feira, 5.
A decisão manteve o Exército alinhado ao núcleo remanescente do chavismo, mesmo sem Maduro no poder. A oposição, representada por Edmundo González Urrutia, tentou convencer os militares a acatar o resultado das eleições de 28 de julho de 2024, que ele considera legítimas, mas não obteve resposta pública.
Pragmatismo militar
Para Eduardo Galvão, professor de Políticas Públicas do Ibmec, o futuro do país dependerá da “redefinição da lealdade” das Forças Armadas. Ele lembrou que a derrubada do líder “não significa automaticamente o colapso do chavismo” e que os militares tendem a negociar apenas quando o custo de manter o status quo supera o de uma transição controlada.
O cientista político Víctor Mijares, em entrevista à DW, avaliou que os militares costumam apoiar o grupo com maior capacidade de governar. No momento, observou, esse grupo continua sendo o chavismo. Já o ex-oficial venezuelano Williams Cancino disse à AFP que a atual cúpula “é totalmente leal ao regime”, sinalizando que a estrutura de poder permanece intacta.
A captura de Maduro representa o primeiro passo de um processo de transição ainda incerto, no qual a postura das Forças Armadas deve ser decisiva para definir se o país seguirá sob influência chavista ou avançará para um acordo político mais amplo.
Com informações de Gazeta do Povo