Caracas, 6 jan. 2026 – Três dias após a destituição de Nicolás Maduro, o núcleo duro do chavismo permanece no Palácio de Miraflores. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que a Venezuela “ainda não está pronta” para eleições imediatas, nomes históricos do regime mantêm o controle administrativo, militar e legislativo do país.
Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e a responsável por Segurança Interna e Migração, Kristi Noem, para conduzir a transição e assegurar que a líder interina, Delcy Rodríguez, colabore com Washington. Mesmo assim, as autoridades bolivarianas sinalizam resistência a uma intervenção mais profunda dos EUA.
Delcy Rodríguez, a voz do chavismo no comando
Segunda na linha de sucessão de Maduro, Delcy Eloína Rodríguez, 56 anos, assumiu interinamente o Executivo venezuelano. Ex-chanceler de Hugo Chávez e colaboradora próxima de Maduro, ela se converteu na principal interlocutora com Washington após receber aval da Casa Branca para permanecer no cargo durante a transição. Segundo o governo norte-americano, a dirigente vem “cooperando” dentro das exigências estabelecidas.
Diosdado Cabello, braço repressivo e linha-dura
Ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello lidera o aparato de segurança bolivariano desde os primeiros anos do chavismo. Responsável por coordenar forças policiais, militares e os chamados coletivos, o dirigente é apontado como mentor das ações que resultaram em mortes e prisões nos protestos pós-eleição de 2024. Após a captura de Maduro, apareceu em rede nacional com colete à prova de balas conclamando tropas a “manter a ordem”.
Jorge Rodríguez, controle do Parlamento
Dois dias depois da operação que prendeu Maduro, o deputado Jorge Rodríguez foi reconduzido à presidência da Assembleia Nacional. Psiquiatra e irmão da líder interina, ele ganhou projeção ao presidir o Conselho Nacional Eleitoral entre 2003 e 2006, período marcado por denúncias de bloqueio ao referendo revogatório contra Chávez. Desde 2018, Jorge e Delcy estão sob sanções do Tesouro dos EUA por “auxiliar a consolidação do governo autoritário”.
Vladimir Padrino López, garantia do apoio militar
No Ministério da Defesa desde 2014, Vladimir Padrino López mantém estreito controle sobre as Forças Armadas. Um dia após a ação norte-americana que derrubou Maduro, ele classificou a operação como “assassinato frio e deliberado” de militares e civis, pediu a libertação do ex-chefe de Estado e reafirmou fidelidade ao chavismo.
Enquanto Washington articula a próxima etapa da transição, a permanência dessas figuras sinaliza que a estrutura chavista continua intacta, mesmo sem seu principal líder.
Com informações de Gazeta do Povo