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Prisão de Maduro pelos EUA pressiona Lula e agita cenário da eleição presidencial de 2026

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A captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, anunciada na madrugada de sábado, 3 de janeiro, passou a ocupar o centro do debate político no Brasil e já provoca desgaste na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe do Executivo reagiu condenando a operação como violação da soberania venezuelana, posição que contrasta com críticas internas e externas ao regime chavista, acusado de autoritarismo, fraudes eleitorais e violações de direitos humanos.

Polarização imediata

A oposição brasileira, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) — pré-candidato ao Planalto e principal adversário de Lula — aproveitou o episódio para relembrar a proximidade histórica do PT com o chavismo. Nas redes sociais, parlamentares conservadores exaltaram o fim do governo Maduro e cobraram posicionamento claro do Palácio do Planalto, enquanto legendas de esquerda criticaram a iniciativa de Washington.

Impacto eleitoral

Para Daniel Afonso da Silva, professor de Relações Internacionais da USP, um “posicionamento equivocado” sobre a queda de Maduro pode ter efeitos duradouros na disputa presidencial e até nas eleições estaduais de outubro. Segundo ele, é difícil condenar a operação quando milhares de venezuelanos refugiados no Brasil celebram a decisão norte-americana.

Olavo Caiuby Bernardes, advogado especialista em Direito Internacional, avalia que Lula pode tentar transformar o episódio em trunfo, adotando discurso nacionalista contra interferências externas. Esse movimento, no entanto, dependerá da estratégia da oposição; críticas excessivamente duras a Washington podem, segundo Bernardes, beneficiar o presidente.

Nova estratégia dos EUA

A detenção de Maduro foi apresentada pelo governo de Donald Trump como parte de uma nova política de segurança hemisférica, reinterpretando a Doutrina Monroe do século XIX. Acusado de narcoterrorismo, o líder venezuelano foi levado à Justiça de Nova York após semanas de sanções e manobras militares inéditas no Caribe.

Diplomacia sob pressão

O Itamaraty afirma monitorar a fronteira em Roraima — principal porta de entrada de venezuelanos no país — e tenta conciliar a condenação pública da operação com a manutenção de canais de diálogo com Washington. Especialistas alertam que a ênfase dos EUA em segurança, narcotráfico e contenção de influências externas pode impor novos desafios à política externa brasileira.

Reações regionais

Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram nota conjunta no domingo, 4, classificando a ação norte-americana como ameaça à soberania da Venezuela e à paz regional. Na direção oposta, o presidente argentino Javier Milei articula bloco de governos de direita favoráveis à intervenção e ao alinhamento estratégico com os EUA, aprofundando a divisão ideológica na América do Sul.

Com a campanha presidencial oficialmente aberta, analistas preveem meses de disputa narrativa sobre a operação que derrubou Maduro. Enquanto Lula busca conter o desgaste político, oposicionistas tentam associar o petista ao chavismo e ao histórico de violações do regime venezuelano.

Com informações de Gazeta do Povo