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Rússia e China exigem liberação de Nicolás Maduro em sessão de emergência na ONU

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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta segunda-feira (5) uma reunião convocada em caráter de urgência para discutir a operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Na sessão, Rússia e China cobraram a libertação imediata do líder chavista e classificaram a ação norte-americana como violação do direito internacional.

Rússia fala em “ato de agressão”

O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, chamou a captura de Maduro de “operação criminosa” e “ato de agressão” contra a Venezuela. Nebenzya afirmou que Washington aplica a chamada “ordem mundial baseada em regras” de forma seletiva, segundo interesses políticos, o que, na avaliação de Moscou, alimenta “um novo momento de neocolonialismo e imperialismo”. O diplomata qualificou a postura dos EUA como “hipócrita e cínica”.

China rejeita papel de “polícia do mundo”

Em linha com Moscou, o representante chinês reiterou pedido feito mais cedo pelo governo de Pequim para que Maduro seja libertado. O diplomata declarou que nenhum Estado tem autoridade para “atuar como polícia ou tribunal internacional”, reforçando a condenação às operações militares norte-americanas em solo venezuelano.

Secretariado da ONU expressa preocupação

Representando o secretário-geral António Guterres, a subsecretária-geral para Assuntos Políticos, Rosemary A. DiCarlo, manifestou “profunda preocupação” com o uso da força pelos EUA e lembrou que a Carta da ONU proíbe ações que atentem contra a integridade territorial de outro país. DiCarlo também destacou o risco de agravamento da instabilidade interna na Venezuela e citou as denúncias de violações de direitos humanos registradas nos últimos anos, bem como as dúvidas sobre a transparência das eleições presidenciais de julho de 2024.

EUA negam guerra ou ocupação

O embaixador norte-americano Michael Waltz refutou, durante a sessão, a ideia de que Washington esteja em guerra com a Venezuela ou ocupe território venezuelano. Segundo Waltz, a operação que culminou na detenção de Maduro foi “cumprimento da lei”, pois o ex-chefe de Estado era procurado pela Justiça dos EUA. O diplomata alegou que o líder chavista é responsável por “milhares de mortes de norte-americanos”, além de envolvimento com o narcotráfico, e afirmou que Maduro governava de forma ilegítima ao “manipular o sistema eleitoral” para se manter no poder.

Ao final da reunião, não houve consenso sobre uma resolução formal do Conselho de Segurança. Novas consultas diplomáticas devem ocorrer nos próximos dias.

Com informações de Gazeta do Povo