Brasília – Nas primeiras horas de 3 de janeiro de 2026, políticos, militantes e intelectuais de esquerda no Brasil reagiram de forma contundente ao bombardeio dos Estados Unidos contra a Venezuela, operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em manifestações nas redes sociais e em notas oficiais, o grupo acusou o governo do presidente norte-americano Donald Trump de retomar o “imperialismo” na América do Sul e de ferir princípios do direito internacional, como soberania e autodeterminação dos povos.
Pronunciamento do presidente Lula
Alinhado historicamente ao governo venezuelano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ataque como “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela e defendeu uma pronta resposta da Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração foi compartilhada pelos perfis oficiais do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Fundação Perseu Abramo.
Notas oficiais do PT e da Fundação Perseu Abramo
Em nota, o PT “condenou veementemente” a ação militar norte-americana, descreveu a captura de Maduro como “sequestro” e alertou para riscos à estabilidade regional, lembrando que Brasil e Venezuela dividem cerca de 2 mil quilômetros de fronteira. A Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido, divulgou texto semelhante, atribuindo à operação interesses sobre as reservas de petróleo venezuelanas e citando o que chamou de “corolário Trump” da Doutrina Monroe.
Ministros e parlamentares
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) declarou que a ofensiva é “a ação imperialista mais grave” vivenciada na região. A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou posicionamento da ONG Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac), que vê “grave ameaça à paz” na América Latina.
Na Câmara, o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), defendeu solução negociada por meio de organismos internacionais como ONU e OEA. O vice-líder do governo, Reginaldo Lopes (PT-MG), afirmou que a intervenção “abre precedente perigosíssimo” para toda a região, enquanto Rogério Correia (PT-MG) qualificou a medida como “mais um capítulo da política imperialista” dos EUA.
No Senado, o vice-presidente da Casa, Humberto Costa (PT-PE), disse que os ataques ferem convenções internacionais e “lançam o continente em novas instabilidades”. Já o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), questionou “quando os EUA viraram tribunal militar internacional”. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lembrou o histórico de exploração na América Latina e manifestou “solidariedade ao povo venezuelano”.
Intelectuais criticam “fim da ordem internacional”
Entre acadêmicos, o professor Vladimir Safatle (USP) afirmou que a ausência de reação global sinaliza “o fim completo da ordem internacional” pós-Segunda Guerra. O cientista político Christian Lynch avaliou que a ofensiva reflete uma visão da América Latina como parte de um “império” norte-americano, retomando a Doutrina Monroe sob nova formulação.
As manifestações contrastam com a recente aproximação entre Lula e Trump, que rendeu a redução de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e a retirada da sanção Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Mesmo assim, lideranças de esquerda consideram a ação militar na Venezuela um marco de escalada no continente e exigem a libertação imediata de Maduro.
Com informações de Gazeta do Povo