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Lula e partidos de esquerda condenam operação dos EUA que deteve Nicolás Maduro

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A ofensiva militar dos Estados Unidos que resultou na detenção de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, provocou reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de lideranças da esquerda brasileira. O grupo classificou a ação, ordenada pelo presidente norte-americano Donald Trump, como ato de imperialismo e violação da soberania venezuelana.

Governo brasileiro fala em “afronta gravíssima”

Em pronunciamento, Lula afirmou que a captura de um chefe de Estado em seu próprio território constitui “afronta gravíssima” ao direito internacional. Nota oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) descreveu a operação como “sequestro” e “agressão militar” contra a Venezuela.

Parlamentares reforçam repúdio

Figuras como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, endossaram o repúdio, alertando para riscos de instabilidade regional. Senadores e deputados do PT também manifestaram preocupação com possíveis reflexos na fronteira brasileira e com um eventual fluxo de refugiados.

Acusação de interesse em petróleo

Críticos da operação argumentam que o objetivo de Washington não é defender a democracia, mas assegurar acesso às reservas de petróleo venezuelanas. Eles enxergam na iniciativa uma retomada da Doutrina Monroe, política do século XIX que estabelecia a América Latina como área de influência dos EUA.

Contraste com recente aproximação Lula-Trump

A condenação pública surpreende porque, semanas antes, Brasil e Estados Unidos haviam celebrado acordo que reduziu tarifas sobre produtos brasileiros e levou à retirada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo políticos de esquerda, a intervenção militar “abala” o esforço de diálogo construído entre os dois governos.

Precedente para toda a região

Parlamentares alertam que a detenção de Maduro estabelece “precedente perigosíssimo” para qualquer país latino-americano. Para o cientista político Christian Lynch, a ação sinaliza o fim da ordem multilateral erguida após a Segunda Guerra Mundial e inaugura um cenário de “imperialismo descarado”.

Por ora, o Palácio do Planalto avalia medidas diplomáticas e mantém consultas com chanceleres de nações vizinhas na tentativa de conter a escalada da crise.

Com informações de Gazeta do Povo