Ponta Grossa (PR) – A Polícia Federal prendeu preventivamente, na manhã desta sexta-feira (2), Filipe Garcia Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou violação das medidas cautelares impostas durante a prisão domiciliar.
Martins, que utilizava tornozeleira eletrônica desde 27 de dezembro, foi detido em casa, em Ponta Grossa, e transferido em seguida para um presídio da cidade. Três agentes da PF cumpriram o mandado.
Motivo da nova prisão
Segundo a decisão de Moraes, o ex-assessor acessou seu perfil no LinkedIn em 28 de dezembro, contrariando a proibição “absoluta” de uso de redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. O magistrado destacou:
- Descumprimento direto da cautelar – a utilização do LinkedIn configurou violação objetiva da ordem;
- Admissão da defesa – o próprio advogado teria confirmado o acesso, ainda que alegando aspecto “técnico” ou “silencioso”;
- Quebra de confiança – a prisão domiciliar, considerada medida excepcional, foi concedida sob condição de respeito às regras;
- Advertência ignorada – Moraes já havia alertado que qualquer infração resultaria em conversão para prisão preventiva.
Versão da defesa
O advogado Ricardo Fernandes negou que Martins tenha usado redes sociais e atribuiu o suposto acesso a “registros algorítmicos” da plataforma. Segundo ele, as contas digitais estão sob custódia técnica de defensores “apenas para preservação de provas”, sem postagens ou interações.
Denúncia partiu de ex-integrante do governo
O coronel reformado da Aeronáutica Ricardo Wagner Roquetti, exonerado do Ministério da Educação em 2019, enviou e-mail ao gabinete de Moraes informando o acesso de Martins ao LinkedIn. A mensagem serviu de base para a nova ordem de prisão.
Condenação e contexto
Em 16 de dezembro, a Primeira Turma do STF condenou Filipe Martins a 21 anos e seis meses de reclusão por participação no chamado “núcleo 2” da suposta tentativa de golpe de Estado investigada pela Corte. A prisão domiciliar foi determinada depois que o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques tentou fugir para El Salvador, levando o STF a endurecer medidas contra réus que ainda recorrem em liberdade.
A operação desta manhã foi executada pela PF em oito unidades da federação, atingindo investigados dos núcleos 2, 3 e 4 do mesmo processo.
Com informações de Gazeta do Povo