A China definiu que, a partir de janeiro de 2026, a carne bovina importada que ultrapassar cotas específicas por país pagará uma tarifa adicional de 55%. A decisão, enquadrada no mecanismo de “salvaguarda” previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC), atinge diretamente o Brasil, maior fornecedor do produto ao mercado chinês.
Como funcionará a cota
Para o Brasil, o limite inicial será de 1,1 milhão de toneladas anuais, volume que poderá entrar no país sem a sobretaxa. O patamar é aproximadamente 40% inferior às exportações brasileiras atuais para o mercado chinês. As cotas valerão por três anos, com aumentos graduais ao longo desse período.
Motivo da medida
Pequim argumenta que o grande fluxo de carne bovina estrangeira causou prejuízos à sua cadeia pecuária. Ao acionar o instrumento de salvaguarda, o governo chinês busca dar tempo para que produtores locais se adaptem à concorrência internacional.
Impacto sobre o Brasil
A China compra quase metade da carne bovina exportada pelo Brasil. Com a nova regra, o excedente acima da cota deverá arcar com a tarifa adicional de 55%, o que pode reduzir a competitividade do produto brasileiro e exigir ajustes das indústrias e dos pecuaristas.
Posicionamento do governo brasileiro
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que a situação “não é tão preocupante” e que pretende negociar com o governo chinês. Segundo ele, o Brasil tentará utilizar eventuais sobras das cotas atribuídas a outros países.
Repercussão no setor
Entidades do agronegócio receberam a notícia com cautela, alertando para possíveis perdas de mercado. A medida também alcança outros fornecedores relevantes, como Argentina, Uruguai e Austrália, reforçando que não se trata de ação dirigida a um país específico.
A decisão ocorre em meio a outras fricções comerciais da China, inclusive com a União Europeia, e integra a estratégia de proteção de setores considerados sensíveis pela autoridade chinesa.
Com informações de Gazeta do Povo