Brasília – As vendas externas do agronegócio nacional somaram US$ 155,3 bilhões de janeiro a novembro de 2025, avanço de 1,7 % frente ao mesmo período de 2024 e 1,4 % acima do recorde anterior, registrado em 2023. Mesmo sob tarifa adicional de 50 % imposta pelos Estados Unidos entre agosto e novembro e após a confirmação de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o setor deverá fechar o ano com a maior receita da série histórica.
Soja mantém liderança
O complexo soja (grão, óleo e farelo) embarcou 127,4 milhões de toneladas nos 11 primeiros meses, alta de 6,8 % em volume. A receita, porém, recuou 2,9 %, para US$ 50,6 bilhões, devido à queda de preços. Nas duas primeiras semanas de dezembro, a média diária de vendas do grão cresceu 83,11 % na comparação anual.
Carne bovina sustenta avanço das proteínas
As exportações totais de carnes alcançaram US$ 28,6 bilhões de janeiro a novembro, aumento de 19,7 % e novo recorde para o intervalo. A carne bovina respondeu por US$ 14,9 bilhões, alta de 39,8 %, impulsionada por maior demanda chinesa e pela abertura de novos mercados durante o período em que vigorou o tarifaço norte-americano. Na primeira quinzena de dezembro, a média diária de embarques de bovinos ficou 68,5 % acima da registrada em todo dezembro de 2024.
Pecuária de aves se recupera após gripe aviária
Entre janeiro e novembro, a avicultura exportou 4,5 milhões de toneladas, faturando US$ 8 bilhões — quedas de 1 % em volume e 3,8 % em receita. A suspensão temporária de compras por 42 países, posterior ao foco de influenza aviária de alta patogenicidade detectado em maio em Montenegro (RS), afetou as vendas, especialmente para a China. Com a retomada do status de país livre da doença em 18 de junho e a retirada do embargo chinês em novembro, o setor registra em dezembro média diária 8,9 % superior à de igual mês de 2024. No acumulado do ano, as importações chinesas de frango brasileiro recuaram 55,3 % em volume e 53,8 % em valor.
Café fatura mais com preços elevados
Alvo da sobretaxa norte-americana, o café reduziu os embarques em 19,2 %, mas a valorização internacional elevou a receita a US$ 14,4 bilhões até novembro, incremento de 28,7 %. Na primeira metade de dezembro, a média diária de vendas externas do grão não torrado avançou 41,9 % ante o mesmo período de 2024.
China consolida liderança como destino
A China permaneceu como principal comprador do agro brasileiro, com US$ 52 bilhões entre janeiro e novembro — participação de 33,5 %. A União Europeia aparece em seguida, com US$ 22,9 bilhões (14,7 %), e os Estados Unidos figuram em terceiro lugar, com US$ 10,5 bilhões.
Há dez anos, o agronegócio brasileiro havia exportado US$ 81,3 bilhões nos primeiros 11 meses do ano. O avanço para 2025 representa crescimento de 90,9 % nessa comparação.
Com informações de Gazeta do Povo