Brasília — Um grupo de parlamentares da oposição retornou à capital federal nesta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A movimentação ocorre apesar do recesso legislativo iniciado em 19 de dezembro.
Nas redes sociais, os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Marcel van Hattem (Novo-RS) informaram que desembarcaram acompanhados de cerca de 50 colegas. O objetivo é recolher assinaturas tanto para a abertura do processo de impedimento quanto para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a liquidação do Banco Master.
Suposto contrato milionário
Os parlamentares querem que o Senado investigue um contrato de alto valor entre o Banco Master e a esposa de Moraes. O caso ganhou força após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura negociações suspeitas de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos ligados à venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).
Ligação com ministros do STF
Segundo os deputados, o Banco Master patrocinou ao menos seis eventos no Brasil e no exterior com participação de ministros do Supremo — entre eles Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux e o próprio Alexandre de Moraes — além de ex-magistrados, integrantes da Procuradoria-Geral da República e autoridades do Executivo. Os encontros ocorreram nos Estados Unidos, Itália, França e outros países.
Cobrança sobre Dias Toffoli
Dias Toffoli tornou-se alvo de críticas depois de assumir a relatoria do caso no STF 11 dias após a prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, detido em novembro e solto menos de duas semanas depois. No mesmo dia em que foi sorteado relator, Toffoli viajou a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores em um jato que também transportava o advogado de um diretor do Master.
Posteriormente, o ministro impôs sigilo máximo ao processo, alegando conter dados sensíveis do sistema financeiro, e manteve a investigação no Supremo ao apontar possível envolvimento de parlamentar com foro privilegiado. O Ministério Público Federal discordou, afirmando que o congressista citado não faz parte do núcleo principal da investigação e defendeu o envio do caso à primeira instância.
De acordo com Carlos Jordy, todas as assinaturas necessárias já foram obtidas. “Estamos aqui para dar resposta à população”, declarou o deputado em vídeo publicado no X (antigo Twitter).
A Câmara dos Deputados retoma oficialmente as atividades em fevereiro de 2026, mas o grupo oposicionista pretende pressionar a Mesa Diretora para analisar o pedido de impeachment ainda durante o recesso.
Com informações de Gazeta do Povo