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Correios rejeitam privatização e apontam risco de déficit de R$ 23 bilhões em 2026

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Brasília, 29 de dezembro de 2025 – O presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, afirmou nesta segunda-feira (29) que a estatal pode registrar um déficit de até R$ 23 bilhões em 2026 caso não sejam adotadas medidas emergenciais. Em entrevista, Rondon descartou a privatização da empresa e reiterou que essa não é uma proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Folha consome até 72% do orçamento

Segundo o dirigente, os gastos com pessoal representam hoje cerca de 62% do orçamento da companhia, chegando a 72% quando somados os precatórios. O peso da folha, explicou, reduz drasticamente a capacidade de investimento e compromete a competitividade da estatal num mercado logístico em rápida transformação.

Plano de reestruturação em três fases

Para conter as perdas, os Correios elaboraram um plano de recuperação dividido em curto, médio e longo prazos:

1. Curto prazo: recuperação da liquidez até março de 2026. A estatal usará um empréstimo de R$ 12 bilhões obtido junto a Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para quitar obrigações, estabilizar operações e implantar metas de produtividade a partir de janeiro de 2026. Sem essas ações, o prejuízo projetado para 2026 poderia chegar a R$ 23 bilhões.

2. Médio e longo prazos: reorganização da estrutura, incluindo planos de demissão voluntária, revisão de planos de previdência, fechamento de unidades deficitárias (mantendo a universalização do serviço postal), venda de imóveis e investimentos em tecnologia. A expectativa é gerar impacto positivo de R$ 7,4 bilhões.

3. Modernização societária: avaliação da transformação dos Correios em sociedade de capital misto para permitir parcerias estratégicas em segmentos como serviços financeiros e seguros. Rondon ressaltou que a medida não implica privatização integral da empresa.

Déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões

De acordo com Rondon, a obrigação de atender regiões remotas impõe um déficit estrutural anual acima de R$ 4 bilhões. Ele destacou que cerca de 90% das despesas são fixas e que, desde 2016, a queda no volume de cartas—antes base do monopólio postal urbano—desequilibrou o modelo de negócios, agora dependente de encomendas.

Os números mostram deterioração contínua: os prejuízos acumulados ultrapassam R$ 10 bilhões desde 2022, e, entre janeiro e setembro de 2025, as perdas já superavam R$ 6 bilhões. Para reverter o quadro, a estatal pretende ainda revisar a governança, definir metas claras e adotar remuneração variável por desempenho, com o objetivo de recuperar a confiança de clientes e do mercado.

Com informações de Gazeta do Povo