Pela primeira vez desde a independência, o governo do Paquistão patrocinou oficialmente celebrações de Natal em todo o território nacional. Os eventos, realizados em 25 de dezembro de 2025, contaram com apoio financeiro e logístico das administrações federal e provinciais, marcando um gesto inédito de reconhecimento às minorias religiosas.
Em Islamabad, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif recebeu líderes cristãos na residência oficial, onde cortou um bolo comemorativo. Em mensagem publicada na rede X, Sharif classificou o Natal como “um momento nacional” e elogiou a contribuição dos cristãos para a educação, a saúde e o combate ao terrorismo.
O presidente Asif Ali Zardari também se pronunciou, citando o discurso de Muhammad Ali Jinnah de 11 de agosto de 1947 para reforçar a promessa de liberdade religiosa inscrita na fundação do país. Zardari destacou que a Constituição garante igualdade de direitos a todos os cidadãos, independentemente da fé.
O apoio oficial estendeu-se às principais cidades—Islamabad, Lahore, Rawalpindi e Karachi—com missas da meia-noite, procissões e distribuição de auxílio para famílias cristãs. Igrejas foram iluminadas e bairros inteiros exibiram símbolos natalinos, tudo sob esquema de segurança reforçado.
Pun jab lidera mobilização
A província de Punjab, que concentra a maior população cristã paquistanesa, sediou as maiores cerimônias. A ministra-chefe Maryam Nawaz participou de culto na Catedral Anglicana de Lahore, onde anunciou ampliação de verbas para o bem-estar de minorias, aumento do valor do Cartão de Minoria de 75.000 para 100.000 rúpias (US$ 357) e melhorias em cemitérios cristãos. “Antes de qualquer religião, somos paquistaneses”, declarou.
No centro de Lahore, uma árvore de Natal de 12,8 metros foi instalada em Liberty Chowk como símbolo de pluralidade. Diplomatas dos Estados Unidos, Reino Unido e de outras nações acompanharam a cerimônia que reuniu lideranças muçulmanas, cristãs, hindus e sikhs.
Presença militar
Em Rawalpindi, o chefe das forças armadas, marechal de campo Syed Asim Munir, compareceu às celebrações na Igreja de Cristo da Igreja Anglicana do Paquistão. Segundo o departamento de comunicação militar ISPR, Munir afirmou que a força do país “reside na diversidade e na igualdade constitucional, não na uniformidade religiosa”. Lideranças cristãs classificaram a visita como gesto sem precedentes de solidariedade.
Nas redes sociais, comentaristas muçulmanos progressistas elogiaram a iniciativa governamental. O jornalista Raza Rumi descreveu a grande árvore em Lahore como sinal de reconhecimento estatal. Já o ativista Samson Salamat, do movimento Rwadari Tehreek, ressaltou a importância de transformar o simbolismo em reformas legais que garantam proteção permanente às minorias.
Enquanto analistas acompanham os desdobramentos, cristãos em todo o Paquistão celebraram um Natal visível e oficialmente reconhecido, sinalizando possível mudança no relacionamento entre o Estado e suas comunidades religiosas minoritárias.
Com informações de Folha Gospel