Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi mencionado de forma direta em material recolhido pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos irregulares em benefícios do INSS.
A referência ao nome de Lulinha apareceu em uma agenda encontrada dentro de um envelope durante a primeira fase da operação, realizada em abril de 2025. No envelope havia ingressos para o camarote 309 de um show em Brasília e citação a um flat no condomínio Brisas do Lago, também na capital federal. O documento anotava que deveriam constar “o mínimo de dados” e listava o CPF de “Fábio (filho Lula)”, o período de 3 a 5 de dezembro e contatos de intermediários, indicando que os bilhetes seriam retirados com uma pessoa chamada Antônio.
Na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a segunda fase da operação, deflagrada em 18 de dezembro, consta diálogo interceptado entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — apontado como principal articulador das fraudes — e a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha. Nas mensagens, Roberta demonstra preocupação com a apreensão do envelope e sugere que Careca se desfaça de provas, ao que ele responde ter “já feito isso”. Ela encerra afirmando: “Conte com a gente”.
R$ 1,5 milhão em cinco repasses
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que Roberta recebeu R$ 1,5 milhão de Careca do INSS, divididos em cinco pagamentos de R$ 300 mil. De acordo com a decisão do STF, o dinheiro teria sido destinado “ao filho do rapaz”, expressão associada a Lulinha nos autos. A PF aponta que Roberta seria o elo entre Careca e o filho do presidente, além de ter auxiliado na criação de empresas de fachada para lavar recursos provenientes das fraudes.
Documentos da CPMI do INSS mostram que a relação entre Roberta e Careca teve início no fim de 2024, quando o valor movimentado pelo esquema atingiu recorde. O contrato de “consultoria” firmado entre ambos não detalhava serviços técnicos e as notas fiscais eram emitidas sem descrição clara.
Defesas contestam acusações
O advogado de Roberta, Bruno Salles, declarou que as informações estão “totalmente fora de contexto” e que serão esclarecidas. Ele afirma que a empresária conhece a família de Lulinha há anos e que nunca atuou em negociações ligadas aos descontos do INSS, limitando-se a intermediar negócios em outros setores, como o de canabidiol.
Marco Aurélio de Carvalho, ex-advogado e amigo de Lulinha, disse que o filho do presidente não contratou defesa porque não é alvo formal da investigação. Segundo ele, as mensagens são “absolutórias” e tratam de “fofocas” destinadas a envolver Lulinha em escândalos, lembrando rumores antigos já desmentidos.
Divergência na PF e posição do presidente
Dentro da PF, há corrente que defende aprofundar as apurações sobre eventual participação de Lulinha, enquanto outra avalia que os indícios ainda são frágeis. Por ora, prevalece o entendimento de que não há comprovação de envolvimento direto do filho do presidente nas fraudes.
Questionado sobre o caso, o presidente Lula afirmou que “ninguém ficará acima da lei” e que, se houver responsabilidade de seu filho, ele “será investigado”.
Com informações de Gazeta do Povo