Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru divulgaram neste sábado (20 de dezembro de 2025) um comunicado conjunto pedindo a restauração da ordem democrática na Venezuela e a libertação de todos os presos políticos. O governo brasileiro, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não aderiu ao texto.
No documento, os seis países expressam “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social venezuelana e solicitam que o regime de Nicolás Maduro cumpra padrões internacionais de direitos humanos, assegure o devido processo legal, liberte detidos de forma arbitrária e restaure as instituições democráticas.
A reportagem procurou o Itamaraty para esclarecer por que o Brasil não assinou o manifesto, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
Impasses na cúpula do Mercosul
Segundo fontes citadas pela agência EFE, a situação venezuelana foi debatida durante a cúpula do Mercosul realizada no fim de semana, mas acabou excluída da declaração final por falta de consenso. O Brasil defendia que qualquer referência a Caracas mencionasse também as sanções unilaterais dos Estados Unidos e a presença militar norte-americana na região, proposta rejeitada pelos demais membros.
Diante do impasse, os seis governos emitiram a nota separada. Além do Brasil, Uruguai e Chile — este último presente como Estado associado — também não assinaram o comunicado.
Posições divergentes
As diferenças vieram a público nos discursos dos chefes de Estado. O presidente argentino, Javier Milei, endossou a pressão dos Estados Unidos sobre Maduro e apelou por uma postura mais rígida do bloco. Lula, por sua vez, reiterou que uma intervenção militar seria “catastrófica” para a América do Sul e defendeu uma saída diplomática para a crise.
Com informações de Gazeta do Povo