Caracas – O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, o alistamento coercitivo de adolescentes nas Milícias Bolivarianas, estrutura paramilitar ligada ao governo de Nicolás Maduro.
De acordo com Türk, o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos recebeu várias queixas sobre recrutamentos forçados envolvendo menores de idade e até pessoas idosas. O alto comissário classificou a prática como “grave violação das normas internacionais de direitos humanos”.
Rede de denúncias estimula medo e autocensura
A ONU relatou ainda que o regime chavista incentiva a delação entre cidadãos por meio de aplicativos oficiais. Segundo Türk, o sistema, que permite a familiares, vizinhos e colegas reportarem uns aos outros, aprofunda o clima de medo, desconfiança e autocensura na sociedade venezuelana.
Leis sigilosas ampliam poder do Executivo
Türk destacou que a Assembleia Nacional, controlada pelo chavismo, aprovou recentemente legislações que fortalecem o Executivo sob o argumento de combater “ameaças externas”. O teor dessas normas não foi divulgado, o que impede avaliação independente sobre sua compatibilidade com o direito internacional, observou o alto comissário.
Outras violações apontadas
O relatório do Escritório do Alto Comissariado também menciona a continuidade de detenções arbitrárias, uso de leis antiterrorismo com redações vagas e desaparecimentos forçados. Segundo Türk, opositores detidos enfrentam condições precárias, com falta de alimentos, escassez de medicamentos e restrições severas a visitas de familiares.
Não há, até o momento, resposta oficial do governo venezuelano às denúncias apresentadas por Volker Türk.
Com informações de Gazeta do Povo