Um estudo conduzido pelo pesquisador Matthew Blanton, da Universidade do Texas, identificou avanço expressivo da religiosidade desvinculada de instituições na América Latina. O relatório, divulgado em setembro, avaliou dados coletados entre 2000 e 2023 em 17 países e baseados em entrevistas com 220 mil pessoas.
A pesquisa constatou que, embora a maioria continue declarando fé em Deus, a presença em cultos perdeu força. A frequência a cerimônias religiosas ao menos uma vez por mês caiu de 67% em 2008 para 60% em 2023. No mesmo período, o índice dos que nunca vão à igreja aumentou de 18% para 25%.
O levantamento também registra expansão do grupo sem filiação religiosa: de 7% da população em 2004 para mais de 18% em 2023. Entre as nações com menor participação institucional estão Uruguai, Chile e Argentina; já Guatemala, Peru e Paraguai aparecem como as mais engajadas.
Apesar do afastamento dos templos, a importância da religião na vida pessoal segue elevada. Em 2023, 64% dos entrevistados disseram que a fé tem grande relevância, percentual superior aos 60% registrados em 2010. Mesmo entre quem não frequenta cultos, 86% afirmam acreditar em Deus ou em uma força superior e relatam crença em milagres, anjos e na segunda vinda de Jesus.
O trabalho destaca ainda a mudança no quadro denominacional. A parcela de protestantes e pentecostais subiu de 4% em 1970 para quase 20% em 2014, sinalizando diversificação do cenário religioso historicamente dominado pelo catolicismo.
Para Blanton, a combinação de elementos indígenas, práticas católicas e tradições protestantes — característica marcante da cultura latino-americana — favorece expressões de fé mais individuais. O pesquisador observa que, diferentemente do verificado na Europa e nos Estados Unidos, a queda da participação institucional na região não vem acompanhada de redução na crença.
Com informações de Folha Gospel