Brasília — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), chamou na noite desta sexta-feira (12) uma reunião de emergência com as lideranças partidárias da Casa. O encontro ocorre horas depois de uma operação da Polícia Federal que teve como alvo uma ex-assessora do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Antes de se reunir com os líderes, Motta esteve com Lira na residência oficial da Câmara. A movimentação é interpretada nos bastidores como tentativa de organizar uma resposta institucional à investida policial.
Operação Transparência
Deflagrada na própria sexta-feira, a Operação Transparência cumpriu dois mandados de busca e apreensão dentro da Câmara dos Deputados, em Brasília. O alvo principal foi a ex-assessora Mariângela Fialek, que trabalhou no gabinete de Lira e atualmente está lotada na liderança do PP.
Segundo decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação, Fialek atua no setor responsável pela organização das emendas parlamentares. Ela é investigada por suspeita de desvio de recursos dessas emendas.
Tentativa de blindagem no ano passado
No meio de 2024, deputados da oposição ao governo tentaram aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição que impediria o cumprimento de mandados da Polícia Federal em gabinetes parlamentares sem autorização das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. A PEC, apresentada pelo deputado Rodrigo Valadares (União-SE), previa que buscas, apreensões e outras medidas judiciais dependeriam de aval da respectiva Mesa Diretora, salvo em casos de flagrante delito.
O texto estabelecia prazo de até 10 dias para deliberação e suspendia a contagem durante o recesso parlamentar. A proposta, contudo, não avançou.
Até o momento, não há previsão oficial sobre os próximos passos da Câmara após a reunião convocada por Motta.
Com informações de Gazeta do Povo