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Motta fecha bloco de centro com 275 deputados e empareda governo e oposição

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Brasília — 12 de dezembro de 2025. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), formou um novo bloco parlamentar de centro com 275 deputados, movimento que o coloca como peça obrigatória nas negociações tanto do Palácio do Planalto quanto da bancada de oposição.

O alinhamento foi articulado após Motta romper, simultaneamente, com o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O estopim para o afastamento foram votações recentes, como o projeto que classificou facções criminosas como organizações terroristas e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a absolvição da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Bloco garante maioria absoluta

Com 275 parlamentares — número acima dos 257 necessários para maioria absoluta —, o grupo confere a Motta poder para decidir quais pautas avançam ou travam no plenário. A estratégia, segundo aliados, é funcionar como “árbitro” das matérias, obrigando PT e PL a negociar em seus próprios termos.

Risco para a agenda do governo Lula

Projetos considerados prioritários pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a votação do Orçamento de 2026 e a elevação de tributos sobre casas de apostas on-line e fintechs, passam agora pelo crivo direto do bloco. A perspectiva é de que o custo político para aprovar essas propostas aumente significativamente.

Descontentamento na oposição

Entre os bolsonaristas, o clima também é de insatisfação. Durante a eleição de Motta para a presidência da Casa, havia acordo para colocar em votação a anistia total aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em vez disso, foi levado ao plenário um texto que apenas reduz as penas, o que o PL classificou como quebra de compromisso.

Próximos passos e tensão crescente

Motta pretende pautar em breve processos de cassação contra Alexandre Ramagem (PL-RJ) e declarar a perda de mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por faltas reiteradas. Eduardo Bolsonaro reagiu publicamente, afirmando que o presidente da Câmara “escolheu a desonra” e que “ainda terá a guerra”, indicando que o embate deve se intensificar.

Com a nova configuração, PT e PL passam a disputar espaço dentro de um cenário em que Motta centraliza decisões e redefine as correlações de força na Câmara.

Com informações de Gazeta do Povo