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Hugo Motta monta bloco de 275 deputados e tenta preservar comando da Câmara em meio a ruptura com PT e PL

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Brasília — Rompido simultaneamente com os líderes do PT e do PL, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reorganizou nesta semana um bloco parlamentar de centro e centro-direita que reúne 275 deputados, número superior à maioria absoluta da Casa (257 votos). A manobra, que recompõe a base responsável por sua eleição em fevereiro, busca blindá-lo após sucessivas crises com governo e oposição.

Crise após votações polêmicas

O desgaste ganhou força depois de Motta colocar em pauta o chamado PL da dosimetria e avançar com processos de cassação de Carla Zambelli (PL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ). Ambos foram absolvidos pela Câmara, mas, no caso de Zambelli, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação e ordenou a posse do suplente. A Primeira Turma do STF confirmou a decisão na sexta-feira (12).

Paralelamente, Motta rompeu publicamente com Lindbergh Farias (RJ), líder do PT, e com Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL. “Que ele está mais enfraquecido é um fato”, afirmou Lindbergh, ressaltando que o presidente da Câmara “arrumou uma agenda que não agradou nem ao PL”.

Centrão como escudo

Sem o respaldo das pontas do espectro político, Motta recorreu ao chamado Centrão ampliado para evitar isolamento. Segundo a especialista em Relações Governamentais Gabriela Santana, da BMJ Consultores, a reconfiguração “consolida o poder do Centrão como árbitro da governabilidade” e devolve a Motta a prerrogativa de pautar ou travar votações estratégicas.

O bloco garante influência sobre urgências, inversões de pauta e reuniões do Colégio de Líderes, mas não assegura votos suficientes para aprovar propostas de emenda à Constituição, obrigando o presidente da Câmara a negociar com parte do PT ou do PL em matérias de maior impacto.

Impacto na agenda do governo

A ruptura com o PT ameaça a tramitação de projetos prioritários do governo Lula, como o Orçamento de 2026, que precisa ser votado até 19 de dezembro, a proposta de tributação de bets e fintechs e a PEC da Segurança. Para conter a crise, o Planalto acionou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) a fim de restabelecer o diálogo.

A tensão ficou evidente quando Motta se ausentou da cerimônia de sanção da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e incluiu o PL da dosimetria na pauta sem aviso prévio ao Executivo. Para Gabriela Santana, a quebra de ponte “eleva o custo da governabilidade”, embora não seja considerada definitiva.

Oposição cobra anistia

Do outro lado, o PL acusa Motta de descumprir o acordo firmado para sua eleição — a votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Após aprovar a urgência da proposta em setembro, Motta designou Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator, que transformou o texto em redução de penas. “Não é o ideal, mas é um alento”, disse Carlos Jordy (PL-RJ). Já Caroline De Toni (PL-SC) classificou a medida como “passo fundamental de reparação”.

Parlamentares do PL, como Maurício Marcon (RS) e Luciano Zucco (RS), afirmam que Motta ignora reiterados pedidos para pautar a anistia e lembram que o apoio ao paraibano rendeu-lhe 444 votos em fevereiro.

Próximos embates

A expectativa é de novos confrontos na próxima semana. Motta pretende levar ao plenário o pedido de cassação de Alexandre Ramagem (PL-RJ) — condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado — e declarar a perda de mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por faltas. Dos Estados Unidos, Eduardo reagiu: “O presidente da Câmara escolheu a desonra e ainda terá a guerra”.

Aliados de Motta dizem que ele quer “encerrar as polêmicas em 2025” para focar numa agenda propositiva no ano eleitoral.

Com informações de Gazeta do Povo