Pressionado pelas sanções e pela retórica da Casa Branca, o governo de Nicolás Maduro adotou uma série de iniciativas para tentar frear a ofensiva dos Estados Unidos nos últimos meses, de acordo com documentos e relatos divulgados pela imprensa internacional.
Milicianos nas ruas
O presidente venezuelano anunciou a mobilização de milhões de milicianos, convocando-os a manter-se armados para responder a “ameaças” norte-americanas. A ONG Laboratorio de Paz informou ter recebido denúncias de alistamento forçado, acompanhadas de advertências sobre possível perda de benefícios sociais caso o cidadão se recusasse a integrar as fileiras.
Protestos e rompimento de acordo com vizinho
Caracas também conclamou a população a participar de marchas contra exercícios militares realizados pelos EUA em Trinidad e Tobago e suspendeu um acordo energético com o país caribenho.
Apelo a organismos internacionais
Na esfera diplomática, o chanceler Jorge Arreaza recorreu à ONU, pedindo a intervenção do secretário-geral para “restabelecer a sensatez” na região. Paralelamente, na Opep, a Venezuela acusou Washington de tentar se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo e alertou para desequilíbrio no mercado global de energia.
Negociações sigilosas com Washington
Fontes do governo norte-americano relataram que Maduro propôs, em tratativas discretas, conceder participação dos EUA em projetos de petróleo e ouro, além de rever contratos firmados com China, Rússia e Irã. Também ofereceu uma transição “pacífica” em que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiria um governo provisório. A Casa Branca rejeitou os planos.
Contato direto com Trump
Em uma ligação revelada pela agência Reuters, Maduro pediu ao então presidente Donald Trump anistia total para si e para a família, o fim de todas as sanções econômicas e o arquivamento do processo no Tribunal Penal Internacional. Em troca, reiterou a proposta de transição conduzida por Rodríguez. Trump recusou e deu prazo de uma semana para Maduro deixar o poder, o que não ocorreu.
Apoio militar externo
Sem avanço nas negociações, Caracas voltou-se para Rússia, China e Irã, solicitando caças, mísseis, drones e sistemas de vigilância. No plano regional, buscou respaldo político no Brasil — inclusive em movimentos sociais como o MST — e cobrou postura mais firme de governos de esquerda no México e na Colômbia contra a pressão de Washington.
As iniciativas mostram o esforço do Palácio de Miraflores para manter o controle interno e driblar o cerco diplomático e econômico imposto pelos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo